segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Eu te amo. Ao vivo, dublado ou com legendas?

Existem várias maneiras de dizer a mesma coisa. Algumas chegam a ser um disparate de tão incompreensíveis, mas se incorporam rapidamente ao linguajar popular, e, teoricamente, não fazem mal a ninguém, a não ser a gramática portuguesa, “Foi mal“ virou um pedido de desculpa, “valeu” agora é uma forma de agradecimento, “vazar” quer dizer ir embora.

Mas nem tudo está perdido, existem palavras que quando bem colocadas no lugar de outras, podem salvar relacionamentos, contratos e até mesmo vidas. Ao invés de falarmos em autoridade, fica mais elegante substituirmos por liderança. No lugar de irritante, usaremos persistente. Trocar a condição de dramática por emotiva faz toda a diferença. Fofoqueiro pode ser amenizado pela expressão bem informado.

Com base nesta proposta, resolvi brincar e escrever um sentimento de 100 maneiras diferentes. Nem sempre se consegue expressar com palavras aquilo que se pensa ou sente. Talvez meu dicionário sentimental auxiliasse alguém em momento de desespero ou desesperança. Quem sabe eu poderia dar voz aos corações e mentes emudecidos. Por que não?

Procurei então uma das expressões mais utilizadas na vida: “eu te amo”, e comecei a escrever variações. Depois de algumas tentativas, fiquei confuso e confesso, mudei meu entendimento. Dizer “eu te amo” não é tão simples assim.

terça-feira, 3 de julho de 2018

Quando todos julgam, ninguém é inocente

Troquei os nomes para não comprometer, mas a história é verídica.

Pedro (21) e Ana (18) conheceram-se no verão em Atlântida. Foi numa daquelas baladas que iniciam depois da meia noite e só terminam ao amanhecer. Ele se aproximou, ela não se afastou. Ele pegou sua mão, ela não retirou. Ele chegou mais perto, ela o beijou. Não se soltaram mais. Um só tinha olhos para o outro. Fizeram mil planos, realizaram quinhentos, refizeram duzentos, esqueceram os outros trezentos. Não importa, estavam felizes.

Um destes planos era uma viagem no mês de julho para Porto de Galinhas, Pernambuco. Queriam escapar do frio no inverno gaúcho. Economizaram, utilizaram pontos para comprar a passagem aérea, reservaram uma pousada perto do mar e partiram para uma lua de mel de quinze dias.

Foi a viagem dos sonhos, voltaram ainda mais apaixonados. Ficaram especialmente encantados com um passeio de jangada que percorria um mangue até chegar a um parque ecológico onde existe uma área de preservação de cavalos marinhos. Puderam observar e até mesmo tocar os pequenos animais.

Ficaram sabendo que cavalos marinhos só se relacionam sexualmente com um parceiro por toda a vida. Quando um dos dois morre, o outro se isola e fica solitário até morrer também. Além de escolherem um único parceiro, nessa espécie é o macho quem engravida, possuindo uma bolsa incubadora onde carrega os ovos depositados pela fêmea. Alguns estudos em cativeiro desmentem a fidelidade dos cavalos marinhos, mas isto também pouco importa.

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Adeus dói

Desculpa estar enviando esta mensagem pela Internet, mas pessoalmente não consegui falar. Tentei quatro vezes esta semana e mais quatro na outra. Quando chega a hora H, olho para ti e tranca tudo. Sabes exatamente como me manipular, ora pedindo desculpas com voz sedutora, dizendo que está numa fase difícil e vais mudar, ora me contradizendo tentando mostrar que sabes mais do que eu, e de nada adiantaria tentar me explicar, pois não compreenderia.

Também não foi fácil escrever. Não sei se por fraqueza, orgulho ou qualquer outra insegurança, precisei de duas taças de vinho para tomar coragem. Esta é uma carta de despedida, e dar adeus nunca é fácil. Escrevi frases que me envergonhei. Culpava, acusava, injuriava, e nem de longe era esta a minha intenção. Deletei centenas de vezes. Não sei como pude ficar tanto tempo sentindo o coração chorar, sem conseguir expressar com palavras aquilo que sangrava dentro de mim. Não me queira mal, estou botando fora aquilo que me machuca e nos afasta.

terça-feira, 1 de maio de 2018

A senha do Paraiso

Quando completamos um mês de namoro, Marta pediu a senha de meu celular. Alegou que seu telefone era desbloqueado, não tinha nada a esconder e gostaria de reciprocidade. Foi além, disse que concederia alguns dias para que excluísse conversas e fotos comprometedoras do passado, pois não gostaria de abrir meu aparelho e encontrar outras mulheres me abraçando, mesmo que estes fatos houvessem ocorrido cinco, dez ou quinze anos atrás.
Fui pego de surpresa com este pedido, realizado sem anestesia nem aviso prévio. Aliás, na hora não consegui distinguir se aquilo era um pedido, uma ordem ou brincadeira. Confesso que também nunca havia pensado direito no assunto, mas uma coisa posso afirmar, não gosto de receber ordens, muito menos de uma namorada de trinta dias. Não sabia o que responder, talvez até liberasse a senha, mas imaginava que aquilo deveria ser iniciativa minha.

terça-feira, 3 de abril de 2018

Quero me sentir aceita, bem vinda, livre



Tenho 50 anos, duas filhas, uma mãe velhinha, algumas rugas, três quilos acima do peso, dois procedimentos estéticos. Posso dizer que já passei por alguns relacionamentos. Chorei, sorri, apaixonei, namorei, amei, odiei, casei, separei, casei de novo, enviuvei, morei junto, morei separado, até relação homo afetiva já experimentei. Já fui ciumenta, possessiva, desconfiada, vingativa, curiosa, dependente, submissa. Em cada vinculo aprendi algo, hoje sei bem o que quero e o que esperar desta vida.