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quinta-feira, 28 de agosto de 2025

O Desastre do Não Fim

 

Começou como faísca, virou incêndio e depois cinzas. No lugar do calor, ficou só o silêncio. Um silêncio que não é paz, mas ausência. Minha avó já dizia: o divórcio começa no namoro.

Ela tinha razão. O afeto não se despede com gritos, simplesmente vai deixando de ser, evapora, some sem fazer alarde e cede lugar a um automático frio e desinteressado. O olhar que antes buscava conexão dura menos de dois segundos, o bom dia que era promessa de um novo começo se torna mera formalidade vazia, o abraço que antes era refúgio, agora se transforma em um tapinha nas costas, o toque deixa de ser desejo e vira hábito.

Não conversam, trocam recados com informações básicas do dia a dia. Cruzam no corredor, falam sobre contas, o que falta na geladeira, a agenda da semana, mas não falam sobre o que sentem, o que os aflige.

domingo, 11 de novembro de 2018

Deixa-me calar-te com um beijo


A palavra mais utilizada da língua portuguesa deve ser o "porque".

O ser humano precisa de uma explicação lógica para quase tudo, e o “porque” é a ferramenta predileta para esclarecimentos, seja perguntando ou respondendo.  Se a resposta iniciar com um belo “porque”, metade do trabalho já está pronto, nem precisa esclarecer direito.  Existindo um “porque”, por mais absurdo e sem sentido que seja, a coerência parece refeita. O “porque”, por si só,  tem o poder intrínseco de acalmar o interlocutor.
Por que o voo está atrasado? Porque o avião precisou fazer uma revisão nas turbinas. A atendente do balcão responde e o passageiro se satisfaz com a explicação, que justifica o atraso, mas não resolve o problema.  Segundo Nietzsche, precisa existir um “porque” e então a gente aguenta qualquer “como”.
 O problema é que quase nunca existe um único “porquê” ou um “porquê” definitivo para determinada situação. Geralmente respondemos com o “porque” mais instantâneo  ou desenvolvemos  uma explicação conforme a vontade do freguês.