A mente
humana adora gavetas. Nomeia, separa, etiqueta, dobra e guarda rótulos,
organizando o mundo em pastas de escritório. Família, amigos, trabalho, lazer,
política. O problema é que, às vezes, o cérebro opera com a preguiça de um
estagiário em uma sexta-feira às cinco da tarde: arquiva
sem ler, julga sem entender, conclui sem sequer raciocinar.
O cérebro economiza esforço sempre que
pode. Associa palavras a imagens prontas, reduz indivíduos a símbolos, cria
atalhos mentais. É eficiente. Também é perigoso, porque catalogar não é o mesmo
que compreender.
Quando
alguém escuta a palavra “ladrão”, o kit já vem pronto: crime, corrupção, arma, fuga.
Alguns nomes de Brasília ou de Hollywood logo vêm à mente. Não importa se você
sabe o contexto ou a circunstância, a associação chega pronta, o escaninho já
foi fechado.
E se a
palavra for “beleza”? Muda de perfume. Rostos simétricos, corpos esculturais, capas
de revista. De novo, o cérebro não pergunta, ele assume.
Mas existem palavras que costumam dar tela em branco no sistema operacional de algumas militâncias: “judeu”, por exemplo.