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quinta-feira, 14 de maio de 2026

o rótulo do preconceito

 

A mente humana adora gavetas. Nomeia, separa, etiqueta, dobra e guarda rótulos, organizando o mundo em pastas de escritório. Família, amigos, trabalho, lazer, política. O problema é que, às vezes, o cérebro opera com a preguiça de um estagiário em uma sexta-feira às cinco da tarde: arquiva sem ler, julga sem entender, conclui sem sequer raciocinar.

O cérebro economiza esforço sempre que pode. Associa palavras a imagens prontas, reduz indivíduos a símbolos, cria atalhos mentais. É eficiente. Também é perigoso, porque catalogar não é o mesmo que compreender.

Quando alguém escuta a palavra “ladrão”, o kit já vem pronto: crime, corrupção, arma, fuga. Alguns nomes de Brasília ou de Hollywood logo vêm à mente. Não importa se você sabe o contexto ou a circunstância, a associação chega pronta, o escaninho já foi fechado.

E se a palavra for “beleza”? Muda de perfume. Rostos simétricos, corpos esculturais, capas de revista. De novo, o cérebro não pergunta, ele assume.

Mas existem palavras que costumam dar tela em branco no sistema operacional de algumas militâncias: “judeu”, por exemplo.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Destino

                                                
Podem acreditar, o destino vai  mandar algumas cartas inesperadas. Boas e ruins. Não há como prever. Está além de nossas capacidades. Como lidar quando estas circunstâncias surgirem? Boas noticias não constituem problema e podem ser aproveitadas e curtidas na sua devida hora. Resta saber o que fazer com as más novas? A imprevisibilidade inerente não permite nenhum conselho, entretanto, podemos trabalhar nossos pensamentos para não ficarmos sem chão quando a hora ruim chegar. 

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Alma Gêmea

Parecia um dia como outro qualquer, mas não foi. Modificou minha vida. Acordei às oito horas, tomei café e sai para praticar a rotineira corrida matinal. Já havia percorrido uma boa distância quando percebi alguém se aproximando. Olhei para trás e vi um cão correndo para me alcançar.

Era um boxer branco, magro, sem coleira e com algumas marcas no pelo. Não identifiquei se eram feridas cicatrizadas, micoses ou simplesmente marcas de nascença. Não importa. O cão começou a me acompanhar.  Não deu um latido, sequer olhou para mim. Simplesmente quis correr ao meu lado.

Achei engraçado e imaginei que logo adiante ele iria cansar e me abandonar. Não foi o que aconteceu. Depois de cinco minutos juntos, percebi que estávamos em perfeita sintonia. Quando eu aumentava a velocidade, ele correspondia. Quando parava em algum sinal de trânsito, o cão ficava ao meu lado.