Mostrando postagens com marcador sonhos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador sonhos. Mostrar todas as postagens

domingo, 29 de maio de 2022

Me engana que eu gosto

 

Os homens não conseguiriam viver muito tempo em sociedade se não se deixassem enganar uns pelos outros. São mentiras consensuais, passadas de geração em geração como se fossem verdades. Por ignorância ou acomodação, acabamos acreditando e convivendo com elas. Uma destas ilusões sociais é achar que ao comprar um terreno e assinar contrato em cartório, aquela terra passa a ser sua. Não é bem assim.

Aquela terra é das árvores, das formigas, das plantas e de tudo mais que ali habita. O comprador passa a ser um administrador da propriedade. Os donos da terra não são os documentos assinados ou aqueles que a conquistaram mediante guerra ou invasão. As terras são do planeta e interagem com seus habitantes numa constante troca. É um toma lá, dá cá da natureza, não havendo proprietário ou inquilino da mãe terra.

domingo, 10 de março de 2019

Sonhei com Deus


Sonhei com Deus.

Não tinha forma humana, na verdade não tinha forma alguma, era algo parecido com uma nuvem ou um algodão doce, só que muito mais iluminado e branco como a neve. Chegava a doer os olhos. Poderia até ter ficado em dúvida do que se tratava, mas a serenidade, o empoderamento, o cuidado e o acolhimento que me transmitia não deixavam espaço para hesitação, estava frente a frente com o todo poderoso. A voz então, indescritível, parecia estremecer meu corpo enquanto falava.  

Convidou-me para passear. Uau! Quanta honra, passear com o Altíssimo.  Mas logo em seguida veio a confusão e o pavor. Será que morri e estou sendo levado? Para onde? Céu, inferno, purgatório? Não deu tempo de ficar angustiado, Ele imediatamente leu meus pensamentos e foi dizendo: “Fique tranquilo, meu filho, logo estará de volta, só quero lhe mostrar uma coisa”.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Ainda estamos juntos

Sonhei com meu pai. Estava com uma aparência saudável, avental de médico e muito animado. Chamou-me para ver o consultório que montara em seu novo plano existencial. Se quiserem, também podem chamar de céu. Era um consultório nos mesmos moldes que mantinha aqui na terra: papel de parede diferenciado, grande sala de espera, aquário com peixinhos, poltronas confortáveis, diplomas e quadros nas paredes.

Disse-me que demorou quase um ano para se ajeitar por lá, mas que agora já estava em condições de atender seus clientes. Parecia feliz em mostrar sua adaptação.

Despertei e não me preocupei em interpretar nada. Signifiquei apenas que a partida dele foi tranqüila, que estava bem por lá, que mantinha conexão comigo. Passei a manhã inteira animado e com uma sensação de leveza, missão cumprida e proteção espiritual. Bateu uma saudade forte também.

Acontece que sendo filósofo, não pude me furtar de pensar que onde quer que meu pai esteja, seu consultório não terá poltronas, mesas, estetoscópios, quadros. Até onde eu saiba, lá em cima não existe corpo, não há matéria. No sonho, desloquei-me até lá, mas fui com a visão de mundo terrena, com aquilo que conheço, com as idéias que me povoam. 

Não entrei verdadeiramente em sua morada atual, não sei como funcionam as coisas por lá. Para mim é algo muito vago, confuso, misterioso, e até certo ponto, impenetrável para quem ainda reside num corpo. Meu subconsciente fez de conta que fui até lá, mas certamente o consultório dele é bem diferente do que sonhei, o que não diminuiu, de forma alguma, o prazer de sonhar com meu pai. 

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Antes de adormecer o corpo, é preciso convencer a alma




Durante anos trabalhando como anestesiologista, acompanhei milhares de pacientes e aprendi que é possível planejar a qualidade do sono que lhes  é oferecido. No inicio da profissão, realizava o procedimento de maneira estritamente técnico-científica. Instalava um cateter no braço do paciente, injetava o anestésico, fazia-o dormir,  mantinha seus sinais vitais estáveis, e, finalmente,  acordava-o devolvendo-lhe o controle de sua vida. Fazia o papel de uma sentinela que zelava pela segurança física durante o sono involuntário.

De tanto observar o sono alheio, percebi que nem todos adormeciam da mesma maneira, e nem todos despertavam igual. Mas isto não tinha nada a ver com o tipo ou dose de anestésico que estava utilizando. O estado emocional dos pacientes é que fazia a diferença no  dormir e acordar.

Enquanto uns se entregavam ao sono, outros resistiam. Enquanto alguns dormiam serenamente, outros se agitavam. Enquanto outros aparentavam felicidade, outros mais estavam contraídos e lacrimejando. Aprendi também que se o sono for bom, o acordar é melhor ainda. O contrário também é verdadeiro, aqueles que vão dormir intranqüilos, não terão paz e o sono será um verdadeiro castigo. Acordarão massacrados e enfrentarão um péssimo dia seguinte. Quem dorme com dúvidas, passa o dia sem certezas. Por conta de tudo isto, passei a encarar o sono como algo sagrado e me preocupar com o ritual da entrega ao sono.