Preciso tirar férias.
Não do trabalho. Nem
de escrever. Nem sequer para viajar.
Preciso tirar férias
de mim. Do adulto que me tornei.
Não sei exatamente
quando aquele menino que eu era desapareceu. Não houve despedida. Ninguém me avisou
que aquela seria a última vez que eu brincaria sem olhar o relógio, que faria
alguma coisa apenas porque era divertida, que inventaria uma história sem me
preocupar se alguém acharia ridícula.
A vida foi cobrando
pedágio aos poucos. Um pouco menos de
tempo para brincar. Um pouco mais de rigidez. Um pouco menos de imaginação. Um
pouco mais de pressa.
Até que um dia eu tinha tudo aquilo que um adulto deveria ter. Só não sabia onde tinha deixado o menino.