Em uma
guerra todos perdem. Sempre. Perdem-se vidas, casas, argumentos, paz. Mas não é só o que explode que se perde. Há perdas
que não fazem barulho algum, e talvez sejam as mais cruéis. Elas acontecem no silêncio entre uma sirene e
outra.
Em Israel,
o amor não teve escolha, não pode esperar por tempos melhores, precisou aprender
a sobreviver entre bombas. Sirenes tocando sem parar, mísseis sendo
interceptados, famílias correndo para o bunker. Como isso tudo atinge o amor?
Curiosamente, para o amor, o momento mais
difícil não é o ataque. É o perigo do silêncio
que vem depois. O tempo numa guerra é medido em segundos de corrida e explosões e horas intermináveis de silêncio.
Quando a sirene se cala lá fora, as pessoas voltam para casa, varrem o que sobrou do dia, recolhem fragmentos de vidro e de si mesmas, mas algo continua tocando forte, sem parar, só que por dentro. O som daí da rua e entra no corpo, que permanece em alerta, esperando o próximo impacto e tentando entender o que aconteceu. E muitas vezes não consegue.