Ele
precisou ser anestesiado para casar.
Não
é metáfora. Aconteceu. Eu estava lá.
Um
homem, vou chamá-lo de Antônio, precisava fazer uma cirurgia. E tinha medo. Não
exatamente da cirurgia, mas de fechar os olhos e não voltar.
Antônio
vivia havia mais de dez anos com Marta, a mulher que amava. Nunca tinham se
casado. Não por falta de amor. O amor era tão grande que nunca precisou de
testemunhas.
Mas
diante do medo, algumas prioridades são reorganizadas. Antônio decidiu que precisava deixar Marta
protegida. Queria que ela fosse sua esposa também no papel, não apenas na vida.
Foram ao cartório. E descobriram que o amor pode ter pressa, mas a burocracia tem seu próprio relógio. Havia documentos, prazos e procedimentos.