Eu disse ao meu filho: "não venha sorrindo".
Foi isso que pedi a
ele logo depois que casou.
Levei-o para um canto e falei sério: no dia que você for me contar que
vai ser pai, não chegue sorrindo, como se fosse uma boa notícia. Não sei como
vou reagir. Ser avô, para mim, era um
carimbo de velhice, e não me sentia velho. Nunca me imaginei avô.
Ele obedeceu. Um dia, sem festa, sem alarde, sem aquele sorriso que eu
havia proibido, me disse apenas: "paramos de usar a pílula." Entendi
na hora. Por sorte, tive tempo para me preparar para aquilo que ninguém
consegue explicar antes de acontecer.
Olhando para trás, acho graça daquele homem que tinha tanto medo de ser avô. Porque ele estava completamente enganado, e hoje sinto isso todos os dias.