Existe uma contradição curiosa na vida.
Quando
uma mulher engravida, começa logo a se preparar para a chegada daquela criança.
Escolhe o nome, faz exames, compra as roupinhas, organiza o quarto, a mala da
maternidade. Imagina o rosto, os primeiros passos, o futuro.
São
nove meses se preparando para alguém que vai chegar.
Mas
existe outro momento da vida que também merece preparo. E quase ninguém
prepara.
O
envelhecimento, a doença, o fim.
Eu
sou médico. Já estive em muitos quartos de hospital. Já vi filhos paralisados no
corredor, diante da decisão mais difícil sobre a vida dos pais, se perguntando:
“Será que estou fazendo certo? Será que ele ia querer isso?”
E muitas vezes a resposta não existia. Ninguém sabia. Ninguém havia perguntado.