Meu pai me fazia desaparecer.
Nas
festas de aniversário, me colocava dentro de uma caixa enorme, vermelha,
fechava as portas com um estalo seco, girava a caixa diante de todo mundo e
batia a varinha.
Eu
sumia.
As
crianças prendiam a respiração.
Alguns
segundos depois, ele murmurava umas palavras que eu não entendia, abria as
portas e eu voltava.
O salão explodia em aplausos. Eu me sentia poderoso, capaz de qualquer coisa.