Ele estava
escrevendo uma crônica como esta quando a sirene tocou. Não era uma sirene civilizada
de ambulância ou de bombeiros. Era uma daquelas que invadem abruptamente, não negociam, não
esperam você terminar o que começou. O céu de Tel Aviv estava rachando.
Mesmo assim,
por um segundo insano, ele pensou em ficar, terminar a frase. Faltavam três palavras.
Três. Mas há momentos que não esperam um ponto final. A guerra tem um talento
cruel: ela destrói aquilo que existe e aniquila até aquilo que ainda nem teve chance
de nascer. Não deu tempo, ele precisou correr para o bunker.
Desceu as
escadas com o caderno aberto, como se carregasse um pássaro ferido, tentando
salvar a hemorragia da última frase com as mãos.
Lá dentro havia gente demais, silêncio de menos. Uns choravam baixo, outros rezavam alto demais. Ele sentou no chão. Olhou para a página. A frase ainda estava lá, incompleta, ofegante, como ele.