Há lugares
onde a vida não pede licença para continuar. Ela simplesmente arromba a porta.
Em Israel, por exemplo, a existência aprendeu a caminhar com um ouvido no riso
e outro na sirene.
Não pretendo
falar de geopolítica. Vou focar em pessoas, cafés, festas e sirenes. Em épocas de guerra e até mesmo fora delas,
sirenes interrompem jantares, reuniões, conversas, avisando do perigo de uma
explosão. O mundo não acaba por isso,
ele só troca de endereço por alguns minutos.
Em cidades
como Tel Aviv ou Jerusalém, há protocolos quase coreografados. Ao som do
alerta, as pessoas se movem com uma precisão que não veio da disciplina, mas da
repetição. Quinze segundos. Trinta, se a sorte estiver de bom humor, o tempo máximo
para alcançar o bunker mais próximo.
Não é
uma possibilidade abstrata, é um endereço
conhecido. Quase uma extensão da sala de estar, o lugar onde o vizinho de pijama
encontra a moça do marketing que ainda segura sua taça de vinho.
E, ainda assim, a vida ali não tem cara de pausa.