Mostrando postagens com marcador livro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador livro. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 13 de novembro de 2025

A frase perfeita é a que se vive, não a que se escreve


Escrever não é fácil. Às vezes passo uma tarde inteira tentando lapidar uma única frase, procurando o ritmo certo, a palavra que falta, o tom que faz tudo ganhar sentido. E, mesmo assim, muitas vezes o resultado não me convence.

Reescrevo. Corto. Recomeço do zero. São tardes e noites inteiras entregues às palavras. Escrever é assim: um exercício de paciência, solidão e entrega, onde o tempo deixa de ser cronológico e passa a ser interior.

Mas, nessa dedicação quase obsessiva às palavras, fui perdendo o mundo fora delas. Troquei cafés por capítulos, abraços por parágrafos, pessoas por páginas.  A vida foi ficando silenciosa, só eu e o ruído seco das teclas.

quinta-feira, 30 de outubro de 2025

A graça da pescaria não é o peixe

 

Houve uma época em que decidi aprender a pescar. Não sei explicar o motivo — talvez fosse só uma vontade de ficar sozinho, de silêncio, de desacelerar, ou só um capricho de fim de semana.

Comprei um livro chamado “Tudo sobre Pescaria” e outro chamado “Pescar é esperar”, porque é claro, que eu iria começar pelos livros.  Devorei-os em uma semana.  Pesquisei vídeos no YouTube,  comprei vara, anzol, isca, boné, tudo. Me achava o mestre da pesca, na teoria sabia tudo.

Disseram-me que havia um bom rio na cidade de Viamão. Num domingo ensolarado, peguei minhas coisas, e fui até lá. Escolhi uma árvore com sombra, sentei ali e joguei o anzol. A ideia era simples: esperar, como o livro dizia: Pescar é esperar

E eu esperei. Nada aconteceu. Nenhum peixe, nenhuma fisgada. Mas enquanto nada acontecia, comecei a filosofar (óbvio).
Me veio aquela frase que talvez vocês conheçam: "O homem não se banha duas vezes no mesmo rio" , o rio muda, o homem muda...

A água passava, as folhas boiando, a correnteza seguindo, o tempo passando, e eu ficava ali, meio peixe fora d’água.