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terça-feira, 9 de setembro de 2025

Beleza, qual a tua verdade?

 

Dizem que a beleza está nos olhos de quem vê. Mas os olhos, coitados, se iludem. Pensam que beleza está juventude: pele esticada, corpo firme, frescor no olhar. E quando  a juventude passa, o que sobra? A juventude é uma carta de apresentação com prazo de validade. Não é por ai.

Estaria a beleza na estética? Corte perfeito, corpo no padrão, rosto simétrico, roupa de grife. Tudo impecável até a primeira lágrima borrar a maquiagem e mostrar que tudo aquilo é apenas fachada.

E o charme? O jeito de falar, de andar, o olhar que prende, a risada que contagia. É um magnetismo encantador, inegável e quase inexplicável. Mas charme sem alma é como fogos de artifício: bonito por segundos, logo se apaga, deixando o cheiro de pólvora no ar.

A inteligência também concorre ao pódio da beleza. Chegam a ser cúmplices. Há quem diga que nada é mais bonito que uma mente afiada. Mas uma inteligência afiada e mal direcionada pode ser perigosa demais para ser chamada de bela.

Mas a beleza verdadeira não se mede,  não cabe nestas caixinhas. Ela é maior.  Vive no caráter, na vulnerabilidade, na autenticidade, na resiliência, na espiritualidade, num acordo entre conteúdo e forma. Mais ainda, a beleza existe também no imperfeito: na cicatriz que guarda histórias, nas rugas que registram risadas, na coragem de se revelar em vez de esconder.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Santos e Pecadores


“Todo homem vale mais que seu erro”. Li esta frase e pensei em escrever sobre os errantes, mas não com aquele olhar que enaltece o homem que erra na tentativa de descobrir algo ou acertar. Também não pretendo analisar crimes ou outros atos bestiais.

Quero falar do outro lado do erro, daquelas pessoas que sem qualificação nem designação para a função, colocam-se no lugar de juízes, criticam e decidem o que é moralmente correto ou incorreto. Levam em conta suas verdades, aquilo que aprenderam ou lhes é conveniente no momento para condenar o suposto erro do outro. Acham-se donos da verdade, santos, castos, honestos, mas nem sempre fazem aquilo que pregam, tampouco reconhecem os próprios erros.

Imaginem uma mulher que no início do século XX, teve a ousadia de se divorciar, realizando aquilo que muitas secretamente desejavam. Algumas mais destemidas chegavam até mesmo a planejar a própria morte ou a dos maridos como solução de seus casamentos infelizes. Por que motivo esta divorciada era segregada da sociedade como se tivesse uma doença contagiosa? Qual o seu crime? Quem julgava e condenava esta mulher? Arrisco dizer que os carrascos eram seus vizinhos, parentes e amigos.