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quarta-feira, 18 de outubro de 2023

Lágrimas de crocodilo

 

Não é preciso haver bombas, tiros, facadas, derramamento de sangue para matar alguém. Já me mataram várias vezes, mas ninguém soube, pois não havia sangue, apenas lágrimas.

Cada lágrima ensinou-me uma verdade. Com muita dor, desolamento e sofrimento, observo os últimos acontecimentos no Oriente Médio com litros de lágrimas nos olhos. E a dor não é causada pelas lágrimas. Não são as lágrimas que doem, o que dói, aflige e corrói a alma são os motivos que as fazem cair.

sexta-feira, 16 de outubro de 2020

Dê ao homem uma máscara e ele lhe dirá a verdade

Já percebeu que as fotos antigas, aquelas da época de seus bisavôs para trás, tinham algo em comum? Ninguém sorria. Nem mesmo reis, rainhas, imperadores, crianças, damas da sociedade. Até mesmo quando a família estava reunida em uma festa, os rostos não mostravam sinal algum de alegria. Será que a sociedade passava por tantos percalços que ninguém tinha vontade de sorrir? Claro que não.

Alguns sustentam que a sobriedade das pessoas era devida à falta de dentes, o que as envergonhava e obrigava a fechar a boca na hora das fotos. Ora, se quase todos eram banguelas, não precisariam se preocupar com a feiura da boca, já que se constituía em normalidade e ninguém iria depreciar esta condição ou se tornar menos atraente pela falta ou podridão de alguns dentes. Além disso, crianças pequenas ainda não sofriam deste mal e mesmo assim não sorriam.

Outra teoria, bem mais aceita, é a de que as câmeras antigas precisavam de um tempo de exposição extremamente longo para capturar uma foto e as pessoas precisavam ficar paradas, respirando lentamente e sem movimentos durante o procedimento. Sorrir, em geral, é algo inato, porém sorrir em frente a uma câmera não é algo instintivo, e forçar um sorriso mantendo-o aberto por um tempo que poderia variar entre cinco e trinta minutos era muito desconfortável, senão impossível. Fazer um rosto de sobriedade era bem mais fácil que manter um sorriso falso.

quinta-feira, 25 de julho de 2019

Chore mais


Antes você era um sonho, um amor utópico. Depois, uma realidade maravilhosa. Agora, apenas uma recordação. Uma bela recordação. Doeu ter deixado nossa história no meio. Doeu saber que podíamos e não fizemos. Ainda bem que existe outro dia, outros sonhos, outros risos, outras coisas. Me construí com todo o amor que você não quis mais. Dei tudo o que tinha que dar. Acabou. Me deixa aqui quieto. Com meus pensamentos, minhas ausências, teus silêncios. Estes olhos já não choram mais por ti.

Por que nosso personagem deixou de chorar? Será que já esqueceu a amada? Provavelmente não. Será que as lágrimas secaram porque acabou o sentimento por ela? Acredito que também não seja este o motivo. Será que chorou tanto que já não existem mais lágrimas? Certamente não é o caso. Vou arriscar uma hipótese, mas antes preciso falar um pouco sobre chorar.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Qual máscara você prefere?


 Sempre que ando de avião e ouço aquela voz melosa dizendo "no caso de despressurização, máscaras cairão sobre sua cabeça”, penso que o impacto seria maior se o aviso alertasse exatamente o contrário: “em caso de despressurização, a máscara que você está usando, cairá”. Todos nós já utilizamos alguma espécie de máscara e talvez, ao escutar esta frase, nossa atenção se detivesse um pouco mais sobre o assunto. Já imaginou você, seu vizinho, seu patrão, o prefeito, a dona da loja, todos de cara limpa? Impossível. 
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A palavra personalidade deriva de persona, do etrusco, pessoa, porém, era utilizada para designar as máscaras que os atores utilizavam para representar seus personagens no teatro. Desde o primeiro instante em que o homem passou a conviver em sociedade, precisou aprender a, eventualmente, abrir mão de sua “personalidade” para representar outros papéis, não significando que se transforme em várias pessoas, mas simplesmente formas de se mostrar ao mundo.