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segunda-feira, 17 de agosto de 2026

A porta que eu tranquei

 

Preciso tirar férias.

Não do trabalho. Nem de escrever. Nem sequer para viajar.

Preciso tirar férias de mim. Do adulto que me tornei.

Não sei exatamente quando aquele menino que eu era desapareceu. Não houve despedida. Ninguém me avisou que aquela seria a última vez que eu brincaria sem olhar o relógio, que faria alguma coisa apenas porque era divertida, que inventaria uma história sem me preocupar se alguém acharia ridícula.

A vida foi cobrando pedágio aos poucos.  Um pouco menos de tempo para brincar. Um pouco mais de rigidez. Um pouco menos de imaginação. Um pouco mais de pressa.

Até que um dia eu tinha tudo aquilo que um adulto deveria ter. Só não sabia onde tinha deixado o menino.

domingo, 5 de março de 2017

O preço de ser rei

Nasci com nove anos de idade. Alfabetizado, todos os dentes na boca, nunca usei fraldas ou chupei bico. Não lembro de nada antes dos nove. Não sei com quantos meses comecei a andar, a primeira palavra que falei, meu brinquedo predileto, o gosto da mamadeira, o nome das professoras da escola. Nunca tive o tradicional álbum do bebê, sequer me interessei em perguntar. Tudo que alcanço desta época me foi relatado, lembrança zero. Dizem que era tratado com todas as mordomias, como um reizinho, apelido que carrego até hoje. Mas por que esqueci ou apaguei da memória um período tão glorioso de minha vida? Tenho algumas hipóteses.