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segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Espelho, espelho meu



Alguns anos atrás, discutíamos entre amigos, em tom de brincadeira, quem era mais importante para a sociedade, o médico ou o desembargador. Argumentei que o desembargador teria poderes para dar ordens de prender ou soltar alguém da prisão, no entanto, não possuía a autoridade médica para solicitar que uma pessoa se despisse para ser examinada. Ordenar era muito diferente de solicitar.

E daí? Comentou o magistrado, não é isto que torna um profissional mais importante que o outro, eu sou chamado de excelência e você não. Além disso, continuou ele, ambos somos funcionários públicos, concursados na mesma época, não obstante, meu salário é três vezes maior que o seu. Deve haver alguma razão para isto. Imediatamente repliquei: razão não! arbitrariedade, injustiça, iniquidade, isto sim é o motivo de tamanha desigualdade. E digo mais, injuriava-o animado, as chances de você precisar de meus serviços são infinitamente maiores que as minhas de precisar dos seus, um dia você vai aprender a valorizar os médicos.

Segui com minha tese dizendo a ele que quando estivesse dentro de um avião em pleno vôo e a aeromoça solicitasse a presença de um médico a bordo, que ele levantasse a mão dizendo ser desembargador e se oferecesse para ajudá-la. Ou então, quando estivesse no saguão do tribunal, ou durante uma audiência e alguém apresentasse uma parada cardíaca ou uma crise convulsiva, que o mesmo tirasse sua toga impecável e realizasse uma respiração boca a boca ou uma desfibrilação cardíaca.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Conto de fadas moderno

Quando éramos crianças, adorávamos dormir escutando contos de fadas. Os finais eram sempre felizes, mas os começos muito tristes. Com freqüência existia um padrasto ou madrasta má, alguém que se perdia, estava muito doente, era espancado, seqüestrado, engolido. O enredo das histórias envolvia crueldade e injustiça, para no final surgir o amor e os mocinhos viverem felizes para sempre. Nossos pais não sabiam, mas é claro que estas histórias de amor romântico contadas ao pé da cama, mais tarde trariam conseqüências.

Crescemos, acabou a fantasia, caímos na realidade. Nosso mundo está cheio de injustiça, maldade, mentira, inveja, egoísmo, doenças, sofrimento. Nos contos de fadas sempre havia um herói para reverter a situação e encerrar o livro com um final feliz. E na vida real, onde estão estes heróis?