Aconteceu num
instante, foi sem querer, não havia planejamento ou expectativa alguma. Ele a convidou
para passarem juntos a noite em sua casa e ela aceitou. Só por hoje, respondeu
timidamente. Nem havia clareado o dia, ela saiu para o trabalho, mal tiveram tempo
de se despedir. Foi tão maravilhosa a companhia que ele a convidou novamente no
sábado. Só por hoje foi como confirmou sua vinda. Muitas outras vindas
aconteceram, mas a senha era sempre a mesma: só por hoje (SPH), jamais
perguntava ou confirmava nada sobre o amanhã. Não necessitava dele para nada,
mas era parceira para tudo. Era livre e assim o deixava.
Numa destas
noites frias do inverno gaúcho, enquanto se aqueciam em abraços, sussurrou em seu
ouvido esquerdo que estava apaixonada. Com voz rouca e melosa frisou que “estava”
apaixonada, não que “era” apaixonada. Especialmente naquela noite estava se
sentindo muito apaixonada. Muitas outras declarações, agora mútuas, aconteceram
seguidas da já bem conhecida senha “só por hoje”. Assim, despretensiosamente, nem
perceberam que o só por hoje já dura mais de quinze anos.