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domingo, 9 de agosto de 2026

A barba que meu pai me confiou

 

Meu pai nunca me pediu nada.

Era daqueles homens que preferiam carregar um armário sozinho a admitir que precisassem de ajuda. Cresci acreditando que pais eram feitos de uma matéria diferente. Não adoeciam. Não cansavam. Não tinham medo.

Até o dia em que adoeceu gravemente. Quando a doença já tinha roubado quase toda a sua força, passamos a ficar ao seu lado o tempo todo.

Num desses dias ele me chamou para perto da cama. Achei que fosse pedir água ou ajustar o travesseiro.

Ele disse apenas: — Pode fazer a minha barba?

Explicou, quase pedindo desculpas, que as atendentes eram muito gentis, mas eram mulheres. Não sabiam fazer barba como um homem faz.