Mostrando postagens com marcador casal. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador casal. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 15 de julho de 2022

GPS

 

Lembra como eram as viagens de carro antigamente? O motorista entregava um mapa para quem estava a seu lado, geralmente a esposa, e a pobre coitada era obrigada a decifrar aquelas marcações e conferir instantaneamente se a rota indicada no mapa conferia com a estrada que estava em frente. Quase nunca dava certo.

Quando o copiloto dizia para virar à esquerda já estavam em cima da curva, havia um carro justo atrás que não permitia a manobra ou a rota indicada estava errada e o casal se perdia no sentido literal e figurado da palavra. Perdidos no caminho e no relacionamento.   

Entregar o mapa para o copiloto era, no mínimo, sinônimo de discussão certa e mau humor durante o trajeto. Milhares de viagens foram estragadas por falta de sintonia entre piloto, copiloto, mapa e estrada.

Surge então o GPS para terminar com as discussões e calcular a melhor maneira de se chegar ao destino. Você coloca o endereço desejado e sua rota será guiada por um satélite. A probabilidade de erro é mínima.

segunda-feira, 15 de junho de 2020

O que é que há?


Estamos casados há três anos. Sou design de interiores e meu marido trabalha com organização de grandes eventos (shows em ginásios e estádios). Não temos filhos. Nossa rotina, até bem pouco tempo,  era acordar cedo, enquanto um tomava banho o outro preparava a mesa do café,  saboreávamos juntos e em seguida, cada um partia para seu trabalho. Encontrávamos-nos à noite e sempre inventávamos algo diferente pra fazer. Nossa vida era maravilhosa, praticamente ainda estávamos em lua de mel, mas, como nada dura para sempre, surgiu esta pandemia do coronavirus e estragou tudo, nossa vida virou de ponta cabeça.

Eventos com aglomeração de pessoas foram cancelados por tempo indeterminado e sem previsão de retorno das atividades. Com isto, cessaram todas as rendas de meu marido e os afazeres profissionais também. Vivia em reuniões, ensaios, apresentações, viagens, o telefone não parava de tocar; agora, os negócios estão parados e ele paralisado. Com medo de se contaminar pelo vírus, fica trancado em nosso apartamento esperando por dias melhores.

Eu também. Meu trabalho como design já estava andando devagar, agora estacionou de vez. Quem vai pensar em investir na decoração da casa ou do escritório numa hora destas? Não tenho emprego, trabalho como profissional liberal e meus ganhos e compromissos também zeraram. Possuímos algumas economias guardadas que podem nos sustentar por um bom tempo, mas este não é o problema maior.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

padrinho de casamento

Fui convidado para apadrinhar um casamento. O noivo era um amigaço. Desde a adolescência fomos parceiros nas boas e nas ruins. Conheci todas as namoradas anteriores. Dei palpites, conselhos, apresentei, consolei, apoiei, menti que estávamos juntos para limpar a barra, ajudei a terminar, emprestei o carro, fiz sala para a amiga chata, telefonei na hora marcada pra livrar da encrenca. Enfim, torcíamos um pelo outro, jogávamos no mesmo time, acreditávamos, confiávamos e nos defendíamos mutuamente. Claro que eu tinha de ser homenageado como padrinho deste casamento.

Claro mesmo? Nem tanto. Minha intimidade era com o noivo. A noiva conhecia superficialmente, de encontros e conversas sociais. Era a mulher que meu amigo havia escolhido para casar, simpática, bonita, inteligente, bom papo e estavam apaixonados. Tinha certeza que representava o papel de melhor amigo, no entanto, não sabia qual seria minha função como padrinho do casamento.

Acontece que não tive tempo de fazer estas elucubrações filosóficas, fui pego de surpresa com o convite, que veio da seguinte forma: “Cara, eu sempre disse que um dia teria sorte, encontraria e casaria com a mulher da minha vida. Quero que você esteja comigo, ao meu lado, como padrinho, na hora de dizer o sim. Preciso de ti”.  

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Desculpa, foi engano.

Depois de tudo o que vivemos, precisamos ter a sobriedade de ser honestos com nossos próprios sentimentos e admitir que apostamos em nos amar, mas ficamos longe disto.  Foi bom, mas não foi amor.  

Preocupado em não mais repetir o erro, revisei a literatura e descobri que não existe um gene especifico do amor, que dotaria alguns felizardos com esta capacidade e impediria outros. Não se nasce carimbado ou proibido de amar. Ainda bem, estamos salvos. Amor se aprende, constrói, cria, sente. Amor não é complicado para surgir, mas pode ser difícil de manter.

A vida me ensinou que se pode amar várias pessoas ao mesmo tempo. Amo meus pais, meus irmãos, meus amigos. Mas amo do meu jeito e com cada um fui criando um código diferente de amor.

Acontece que amor fraternal é uma coisa e amor entre um casal é outra. A diferença é mais ou menos como andar de carrossel ou de montanha russa. Num você sobe quando criança e fica dando voltinhas sem maiores riscos ou emoções, no outro você só pode entrar um pouco mais crescido, e no inicio, precisa se amarrar prá não cair. Se der certo e aprender a andar, é mais seguro que carrossel e mil vezes mais emocionante. Mas não é para todos. Amor não é o que faz o mundo girar, isto é bebedeira ou labirintite. Amor é o que faz o giro valer a pena.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

ciúme

Sempre achei que ciúme era um sentimento baixo e jamais me atingiria. Confiava na altura do meu “taco” e na mulher que estava a meu lado. Até o dia em que tudo mudou. Fui  atacado por um sentimento de perda, uma ameaça de abandono, um medo de não mais ser amado. Algo não andava bem.

Seria ciúme ou quem sabe algum outro sentimento parecido? Talvez inveja, ansiedade, depressão...O nome do que sentia nem era tão importante, mas como desprezava tanto o ciúme e tinha vergonha de estar sendo contaminado por este monstrinho de olhos verdes, procurei ajuda.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Começo, meio e fim

Quando entrei na escola pensava que escrever era fácil. Tudo o que precisava era começar o texto com letra maiúscula e terminar com um ponto final. No meio colocava as idéias. Mais tarde aprendi que para tirar uma boa nota em redação, esta precisava ter começo, meio e fim. Não sei como, mas este conceito de que as coisas precisam ter um inicio e um encerramento bem definidos têm acompanhado e confundido a vida de muita gente. 

Aos 14 anos de idade fui oficialmente pedida em namoro por um menino. Era uma noite de verão e depois do jantar, enquanto jogava conversa fora com os amigos, o Dudu me chamou num canto e fez o pedido de namoro. Quando voltei pra casa, na hora de dormir, já havia trocado de "status". Ainda não existia o Facebook para que pudesse postar e anunciar para o mundo, mas de um momento pra outro, minha vida mudara, como se estivesse publicamente tomando posse de um cargo e iniciando naquele dia e naquela hora a nova relação. Uma separação muito clara entre o antes e o depois do pedido.”

Enamorar-se de uma pessoa é um processo que vai acontecendo aos poucos.  Com o tempo e o convívio, vão surgindo a intimidade, a admiração e o casal, dia após dia, vai se reconhecendo como amigos, confidentes, amantes, cúmplices. Roupas e discos começam a se misturar, precisam urgentemente contar uma coisa para o outro, já não querem mais dormir separados. Tornar-se namorado ou namorada também deveria ser assim, sem um marco inicial, um pedido formal, um ritual divisor de águas. Espontaneamente descobrir-se envolvido, a ponto de sentir que as duas vidas estão andando juntas e que a parceria está formada.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Sintomas

Depois de escrever “Sinais”, fui desafiado a continuar no assunto e falar agora sobre os “Sintomas” do amor. Ainda não sou especialista no assunto, mas posso dizer que me dedico, e como sou movido a desafios, vou tentar.

Pensei inicialmente em fazer uma divisão didática, semelhante ao que se faz com as patologias em medicina: sintomas leves, medianos e graves de amor. Não deu certo. Amor não é uma doença; paixão talvez seja uma espécie de confusão delirante com exaltação maníaca e por isto acumule tantos sintomas.  Quando se trata de amor, este tipo de classificação não funciona. Não dá prá amar um pouquinho ou só de leve ou querer achar um rótulo para classificar.  É um amor pobre aquele que se pode medir- Shakespeare. Ou se ama ou não se ama. Lembram do recado do amor? “Não aceitem menos que isto.”