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segunda-feira, 15 de junho de 2026

Melhor declaração de amor

 

sex., 12 de jun., 15:20 (há 3 dias)
Na inicio da minha formação médica, entre plantões na emergência e aulas teóricas , aprendi uma lição de sobrevivência: quando alguém está à beira do caos porque sofreu um ferimento grave, perdeu muito sangue e está apavorado vendo a própria vida escapar, o cérebro dela não procura poesia. Procura presença e segurança.

 

O que esta pessoa mais precisa nessa hora é que alguém pegue sua mão, sustente o olhar e diga: “Estou aqui. Fica comigo.”


É quase ridículo de tão simples, mas é a única âncora possível no meio da tempestade. Duas pessoas negociando com a vida.

Depois veio a especialização em anestesia. E a promessa mudou de tom, mas não de essência, continuou sendo abrigo salva-vidas. Antes de fazer os pacientes dormir, somos ensinados a olhar nos olhos deles e dizer: “Vou estar aqui o tempo todo. Vou cuidar de você enquanto dorme e estarei aqui quando você acordar”.

Existe algo profundamente humano nisso. Talvez até religioso. O paciente, totalmente vulnerável, entrega a consciência nas mãos de um desconhecido, vestindo touca descartável e máscara cirúrgica, que promete vigiar seu sono e não o deixará sozinho nem por um minuto enquanto ele atravessa a pequena morte da anestesia.

Por que não usamos esse mesmo cuidado no amor?

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Nossos "eu te amo" precisam se encontrar

 

Quando completamos dois meses de namoro, sem aviso, sem ensaio, ela me beijou, e a frase veio junto:

— Eu te amo.

Pedi que repetisse. Ela repetiu, com a voz mais doce ainda, quase um sopro. Pedi mais uma vez. Ela caprichou, como se afinasse um instrumento que já soava bem. Colocou intenção, olhou no fundo dos meus olhos. O som era lindo. Devolvi o beijo ainda com aquelas palavras ecoando na minha boca.

Mas acontece que sou um caçador de significados.  Então fiz o que sempre faço quando algo importante aparece sem manual: perguntei o que exatamente queria dizer “eu te amo” no dicionário dela.

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Eu te amo. Ao vivo, dublado ou com legendas?

Existem várias maneiras de dizer a mesma coisa. Algumas chegam a ser um disparate de tão incompreensíveis, mas se incorporam rapidamente ao linguajar popular, e, teoricamente, não fazem mal a ninguém, a não ser a gramática portuguesa, “Foi mal“ virou um pedido de desculpa, “valeu” agora é uma forma de agradecimento, “vazar” quer dizer ir embora.

Mas nem tudo está perdido, existem palavras que quando bem colocadas no lugar de outras, podem salvar relacionamentos, contratos e até mesmo vidas. Ao invés de falarmos em autoridade, fica mais elegante substituirmos por liderança. No lugar de irritante, usaremos persistente. Trocar a condição de dramática por emotiva faz toda a diferença. Fofoqueiro pode ser amenizado pela expressão bem informado.

Com base nesta proposta, resolvi brincar e escrever um sentimento de 100 maneiras diferentes. Nem sempre se consegue expressar com palavras aquilo que se pensa ou sente. Talvez meu dicionário sentimental auxiliasse alguém em momento de desespero ou desesperança. Quem sabe eu poderia dar voz aos corações e mentes emudecidos. Por que não?

Procurei então uma das expressões mais utilizadas na vida: “eu te amo”, e comecei a escrever variações. Depois de algumas tentativas, fiquei confuso e confesso, mudei meu entendimento. Dizer “eu te amo” não é tão simples assim.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Ame mais, fale menos.

Será que isto é amor? Esta é uma pergunta que muitos morrem angustiados sem saber responder. Felizes daqueles que afirmam categoricamente sim. Ainda que não tenha durado para sempre, que tenham sido anos, meses ou dias, esta certeza é melhor que a dúvida ou a negativa.

Se o amor foi correspondido ou não, é outra história. A questão é saber se amou ou não amou.  Passar uma vida inteira e ao final constatar jamais ter amado alguém é um desperdício. Ou pior, passar anos fazendo análise para saber se realmente era amor aquilo que sentia e morrer na dúvida. Desperdício dobrado.

Houve um tempo em que amar significava comprometimento. Dizer “eu te amo” era declaração de um sentimento único e raro em uma relação diferente de todas as outras. Um envolvimento sólido, uma ligação pra valer. Eram necessários meses ou anos de convívio e muita coragem para solenemente declarar amor por aquela pessoa especial. Jamais seria escrito via whatsapp seguido de figuras de coraçõezinhos ou beijinhos. O amor era revelado ao pé do ouvido, olhando nos olhos, entrelaçando as mãos, e significava quase um pedido de casamento. Em tese, sabiam do que estavam falando.