sex., 12 de jun., 15:20 (há 3 dias) |
O que esta pessoa mais precisa nessa hora é que alguém pegue sua mão, sustente o olhar e diga: “Estou aqui. Fica comigo.”
É quase ridículo de tão simples, mas é a única âncora possível no meio da tempestade. Duas pessoas negociando com a vida.
Depois veio a especialização em anestesia. E a promessa mudou de tom, mas não de essência, continuou sendo abrigo salva-vidas. Antes de fazer os pacientes dormir, somos ensinados a olhar nos olhos deles e dizer: “Vou estar aqui o tempo todo. Vou cuidar de você enquanto dorme e estarei aqui quando você acordar”.
Existe algo profundamente humano nisso. Talvez até religioso. O paciente, totalmente vulnerável, entrega a consciência nas mãos de um desconhecido, vestindo touca descartável e máscara cirúrgica, que promete vigiar seu sono e não o deixará sozinho nem por um minuto enquanto ele atravessa a pequena morte da anestesia.
Por que não usamos esse mesmo cuidado no amor?