Passei a vida sabendo exatamente o que fazer quando falta ar em
alguém. Sou anestesiologista. Só não sabia o que fazer quando esse alguém era meu pai.
Ele desenvolveu uma fibrose pulmonar progressiva. A doença foi
levando o fôlego dele em etapas silenciosas. Primeiro tirou o ar de caminhar. Depois o de tomar banho. Mais tarde, o de conversar. No fim, respirar parecia trabalho pesado demais para um único peito.
Chegou o dia em que ele me olhou e disse, quase sem voz: — Não
consigo respirar. Me ajuda.
Ainda hoje essa frase faz eco dentro de mim. Foi a primeira vez que meu pai precisou de mim e eu não consegui ajudá-lo.