Casamento
é uma instituição que nasceu para dar errado.
Calma. Antes de me denunciar para o ministério das flores e dos porta-retratos,
leia até o fim.
Diz uma
antiga e curiosa lenda que, antes do tempo ser tempo, Deus convocou um
plebiscito no céu. Perguntou às almas que tipo de eternidade elas desejavam.
Ofereceu dois caminhos: a Graça
ou o Mérito.
As
almas mais cautelosas escolheram a Graça.
Tornaram-se anjos. Não precisam decidir muita coisa. Recebem ordens
divinas, batem asas em horário comercial, mas atravessam a eternidade sem a
autoria da própria história. Não apresentam grandes crises existenciais, mas
também não têm evolução.
Já
as outras, as mais inquietas, as indisciplinadas, as que desconfiavam da
perfeição, escolheram o Mérito. Vieram para o mundo material para aprender.
Evoluir. Crescer. Não vieram a passeio. Vieram para o estágio mais longo e
confuso da criação. Um internato emocional onde ninguém sabe exatamente o que
está fazendo, mas todos fingem que sabem.
O casamento talvez seja a pós graduação desse sistema de mérito. A sociedade
o vende como um paraíso, tipo um
canivete suíço afetivo, onde o outro deve ser
sócio, amigo, amante, terapeuta, confidente e platéia permanente.
Mas não é bem assim.