Ele precisava
fazer uma cirurgia por causa de um câncer de próstata.
Estava
morrendo de medo, mas o medo não era da anestesia. Nem do bisturi. Nem da dor.
O medo
tinha nome e endereço: impotência.
Adiou a
cirurgia o quanto pôde. Procurou outras opiniões. Pediu mais exames. Tentou
negociar com o tempo.
Até que
o tempo deixou de negociar com ele.
Era a
faca ou o câncer.
A
cirurgia foi um sucesso.
O
câncer saiu.
A
impotência chegou.
Para muita gente, isso é apenas um efeito colateral.
Para ele, um assassinato da própria identidade.
Passou a evitar o quarto. Esperava a esposa dormir primeiro. Quando ela o procurava, inventava qualquer desculpa para sair da cama.