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sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

PORTAS ABERTAS

Recebi algumas criticas sobre meu ultimo artigo “Ainda estamos juntos”. Falavam que sempre deixo uma mensagem no ar, um espaço para interpretações, e, neste caso especifico, a frase final “quando existe amor, as portas nunca fecham”, seria um recado velado, ou, até mesmo, super direto para alguma pessoa em especial.

Aceito todas as criticas com muito respeito, mas preciso esclarecer que quando escrevo, minha intenção nunca é fechar a questão ou as portas. Quero provocar o leitor a pensar, discordar, ir além do texto. A graça de ser escritor é poder conduzir a imaginação do leitor, e, quanto mais longe eu conseguir levá-lo, melhor.

Se o texto for um recado, uma teoria, uma história, não faz a menor diferença, o objetivo do escritor é criar, na medida de suas possibilidades, meios de comunicação entre as ilhas de seu arquipélago, construindo pontes, fornecendo embarcações, ensinando a nadar.

Aproveitando o assunto “portas”, gostaria de contar a história de duas namoradas do passado. Faz tanto tempo, que talvez esqueça alguns detalhes propositadamente.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Namorados para sempre

Conheceram-se pela internet. Moravam em países diferentes, tinham vinte anos de diferença de idade, falavam, torciam, votavam e rezavam para Deuses distintos. E mesmo com tudo diferente, os dois se falavam todo dia e a vontade de ficar juntos crescia, como tinha de ser. Estavam apaixonados e juravam que opostos se atraem e se completam. Quem disse que existe razão nas coisas feitas pelo coração? Apostaram nisto e decidiram casar. Familia, amigos e preconceitos jogavam contra, previam um choque cultural seguido de desilusão com a convivência conjugal.

Recomendaram um curso preparatório de noivos, O casal estava tão entusiasmado, que qualquer motivo para ficarem juntos era bem aceito. Logo na primeira aula, o rabino, um senhor de meia idade,  com uma longa barba ruiva e sotaque meio russo, meio francês, comunica  ao jovem casal, em tom solene e ao mesmo tempo suave,  que se quiserem mesmo casar, terão de fazer uma escolha: “ Felizes” ou “Para sempre”. Uma opção ou outra, as duas juntas não combinavam. Aquele final tradicional dos livros românticos, casaram e foram felizes para sempre, só existia no papel. Na vida real essa possibilidade era muito remota. Deveriam, naquele momento, se conscientizar e escolher entre um relacionamento estável que lhes trouxesse paz ou uma vida de romance que acelerasse seus corações. 

Foram pegos de surpresa. Estavam cheios de expectativas felizes para a nova vida que se anunciava e agora, de onde menos esperavam, recebem um balde de água fria. Queriam e sonhavam ser felizes e sequer cogitavam uma separação.  O rabino percebendo o mal estar, ofereceu uma xícara de chá com limão e continuou sua prédica.  Casamento é como tocar  violino em cima de um telhado, é preciso ficar tentando arranhar uma simples e bela melodia, enquanto se cuida para não cair e quebrar o pescoço. 

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Desculpa Letícia

Estava noivo, casamento marcado para o mês seguinte, quando fui abordado por uma namorada da adolescência, pedindo que abandonasse todos os planos e voltasse para ela. Parece até enredo de novela mexicana, mas a vida nos reserva surpresas que superam a ficção.

Sabe aquela fase em que você está apaixonado, só tem olhos para sua amada, decoram juntos o apartamento onde vão morar, planejam detalhes da festa de casamento, entregam convites e sonham acordados com a lua de mel? Neste clima surge a Letícia jogando areia, propondo terminar meu casamento e re-iniciar um romance antigo.

Havíamos namorado durante quase cinco anos. Foi um namoro ótimo, até o dia em que o pai dela foi transferido para outro estado e a família o acompanhou. Trocamos cartas com juras de amor durante um tempo, mas a distância foi nos afastando até que perdemos totalmente o contato. Quase dez anos sem noticias, para agora receber este furo de reportagem dizendo que sou o amor de sua vida e que está disposta a largar tudo por mim.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

O melhor beijo do mundo

A conversa corria solta no botequim quando uma amiga contou de um tio muito experiente em baladas noturnas e especialista em beijos. Havia lhe ensinado o melhor beijo do mundo e agora, também ela desfrutava deste segredo. Beijava com tamanha desenvoltura, que o prazer transmitido  retornava imediatamente em seu favor, criando um clima de satisfação mútua inesquecível.
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“Como beijar” não é o tipo de conversa que homens costumam ter enquanto bebem, e, por conta disto, o assunto não progrediu. Achamos que ela estava se exibindo ou até mesmo, oferecendo seus préstimos. O fato de uma conversa não ir adiante não significa que o recado não tenha sido dado, pelo contrário, a curiosidade permaneceu agendada em meu cérebro.