Você entra no elevador com um vizinho e
precisam subir juntos sete andares. Só
que você não está com a menor intenção de conversar, tampouco de ser
gentil. Como fazer para não parecer mal educado ou autista? Muito simples. Tire
o celular do bolso ou da bolsa, aperte qualquer tecla, finja um certo ar de
preocupação ou ansiedade e faça de conta que está se conectando com alguém
muito importante. Imediatamente, e sem formalidade alguma, estará liberado para
se alienar e ignorar totalmente quem estiver à sua volta.
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terça-feira, 10 de outubro de 2017
sábado, 24 de maio de 2014
Menos face, mais look
Mensagem recebida pelo Facebook: “Fiquei
feliz em te ver no restaurante. Estás muito bem!”
Resposta ao amigo: “Querido Carlos, por
que não vieste conversar comigo? Somos amigos e eu também ficaria muito feliz
em te rever, trocar um abraço e algumas palavras. Dá próxima vez, deixa de lado
o computador, a rede social e senta comigo. Vai ser mais divertido.”
Estamos sendo dominados e virando
prisioneiros da tecnologia que nós mesmos criamos. Só que a prisão não é uma
cela pequena e escura onde ficamos isolados. Pelo contrário, é uma tela que nos
oferece um universo sem fronteiras, repleto de distrações e amigos
virtuais. Podemos com um pequeno computador realizar mil atividades diferentes
e concomitantes. Mandar e receber e-mails, mensagens, torpedos, assistir
televisão, ver filmes, realizar buscas, namorar, fazer sexo, conectar com
pessoas do mundo inteiro.
Entretanto, apesar da suposta liberdade, a
pena é a mesma: Isolamento em uma vida pequena, trancada na solidão de uma
telinha e amarrada a uma rede social virtual que prefere mostrar fotos e não
emoções, conversa horas sem contato
visual, curte sem ao menos ler o que está escrito, cruza por você na rua e nem
lhe cumprimenta. Criamos telefones inteligentes e nos tornamos burros.
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