Mostrando postagens com marcador cumplicidade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador cumplicidade. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 14 de julho de 2026

Impotência

 

Ele precisava fazer uma cirurgia por causa de um câncer de próstata.

Estava morrendo de medo, mas o medo não era da anestesia. Nem do bisturi. Nem da dor.

O medo tinha nome e endereço: impotência.

Adiou a cirurgia o quanto pôde. Procurou outras opiniões. Pediu mais exames. Tentou negociar com o tempo.

Até que o tempo deixou de negociar com ele.

Era a faca ou o câncer.

A cirurgia foi um sucesso.

O câncer saiu.

A impotência chegou.

Para muita gente, isso é apenas um efeito colateral. Para ele, um assassinato da própria identidade.

Passou a evitar o quarto. Esperava a esposa dormir primeiro. Quando ela o procurava, inventava qualquer desculpa para sair da cama.

terça-feira, 3 de abril de 2018

Quero me sentir aceita, bem vinda, livre



Tenho 50 anos, duas filhas, uma mãe velhinha, algumas rugas, três quilos acima do peso, dois procedimentos estéticos. Posso dizer que já passei por alguns relacionamentos. Chorei, sorri, apaixonei, namorei, amei, odiei, casei, separei, casei de novo, enviuvei, morei junto, morei separado, até relação homo afetiva já experimentei. Já fui ciumenta, possessiva, desconfiada, vingativa, curiosa, dependente, submissa. Em cada vinculo aprendi algo, hoje sei bem o que quero e o que esperar desta vida.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Alma Gêmea

Parecia um dia como outro qualquer, mas não foi. Modificou minha vida. Acordei às oito horas, tomei café e sai para praticar a rotineira corrida matinal. Já havia percorrido uma boa distância quando percebi alguém se aproximando. Olhei para trás e vi um cão correndo para me alcançar.

Era um boxer branco, magro, sem coleira e com algumas marcas no pelo. Não identifiquei se eram feridas cicatrizadas, micoses ou simplesmente marcas de nascença. Não importa. O cão começou a me acompanhar.  Não deu um latido, sequer olhou para mim. Simplesmente quis correr ao meu lado.

Achei engraçado e imaginei que logo adiante ele iria cansar e me abandonar. Não foi o que aconteceu. Depois de cinco minutos juntos, percebi que estávamos em perfeita sintonia. Quando eu aumentava a velocidade, ele correspondia. Quando parava em algum sinal de trânsito, o cão ficava ao meu lado.