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quarta-feira, 27 de setembro de 2023

Navegar é preciso, amar não é preciso

 

Quando cursava a Faculdade de Medicina, era comum sentir os sintomas das doenças que estava estudando nos livros e me assustar pensando estar contraindo a enfermidade. Tão logo aprendia que o enfarto do coração podia apresentar como primeiro sinal um formigamento no braço esquerdo, qualquer coceira que se apresentasse no membro, já poderia ser o inicio do fim.

Assim, fui sendo acometido fictícia e gradualmente de hepatite, diabetes, gangrena, apendicite, hérnia, úlcera, praticamente quase todas as páginas dos livros de patologia, com exceção das moléstias das disciplinas de ginecologia e obstetrícia. Somatização clássica.  Na medida em que fui adquirindo mais conhecimento, os sintomas desapareceram sem tratamento algum. A sapiência e a prática foram os remédios milagrosos.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2022

Tempo útil

 

Era uma vez, há muito tempo atrás, um Ildo que frequentava um consultório de terapia analítica e tinha uma técnica muito singular de se comportar. Colocava seu despertador para tocar quinze minutos antes do final da sessão com o objetivo de orientar sua fala nos próximos minutos.

Depois de algumas consultas, o terapeuta percebeu aquela rotina e, intrigado com aquele sobressalto contumaz, perguntou o que significava aquele barulho acionado em todas as sessões. Respondi que precisava saber quanto tempo faltava para o término da consulta, pois não gostaria de iniciar um assunto importante e delicado e abruptamente ser interrompido pelo despertador do terapeuta sugerindo que continuássemos a conversa na próxima semana. Preferia deixar o assunto pendente, mas não interrompido. Já acontecera em situações anteriores e aquilo havia me deixado muito chateado.

sexta-feira, 6 de agosto de 2021

Impossível? Talvez...

 Talvez. O que significa a palavra “talvez”? Nada. Talvez é uma palavra intermediária entre o sim e o não. Quando alguém não sabe o que dizer ou não quer se comprometer com algo, solta um talvez no inicio da frase e automaticamente se livra da obrigação.

Talvez eu possa ir no jantar amanhã. Qual o conteúdo dessa frase? Nenhum, pode ser que consiga ir no jantar ou pode ser que não compareça. Esperar até amanhã é muito tempo quando se tem um talvez por trás. Talvez é uma palavra vazia, ilusória, parece que está dizendo algo mas na verdade não diz nada, semeia a dúvida e a insegurança.