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segunda-feira, 27 de junho de 2022

Para onde estamos evoluindo?

A guerra entre o bem e o mal não é travada entre exércitos adversários ou entre cidades e nações inimigas. A batalha entre o bem e o mal acontece dia a dia dentro de cada ser humano.

Segundo Platão, a mente humana trava uma disputa incessante entre três forças para controlar nosso comportamento. Uma das forças é o instinto animal de sobrevivência, preparado para lutar, comer e acasalar. A segunda força são nossas emoções, alegria, raiva, medo. Instinto e emoção funcionam como animais selvagens internos empurrando nosso comportamento para direções pouco aconselháveis.

O cérebro dos humanos evoluiu e desenvolveu o pensamento racional, visando refrear ambos os animais e nos guiar num caminho mais civilizado e justo. Há controvérsias. O mau comportamento não é fruto de atividade de animais ancestrais interiores inferiores, assim como o bom comportamento não é resultado da racionalidade. São metáforas utilizadas para tentar explicar condutas humanas aleatórias.

sexta-feira, 6 de agosto de 2021

Impossível? Talvez...

 Talvez. O que significa a palavra “talvez”? Nada. Talvez é uma palavra intermediária entre o sim e o não. Quando alguém não sabe o que dizer ou não quer se comprometer com algo, solta um talvez no inicio da frase e automaticamente se livra da obrigação.

Talvez eu possa ir no jantar amanhã. Qual o conteúdo dessa frase? Nenhum, pode ser que consiga ir no jantar ou pode ser que não compareça. Esperar até amanhã é muito tempo quando se tem um talvez por trás. Talvez é uma palavra vazia, ilusória, parece que está dizendo algo mas na verdade não diz nada, semeia a dúvida e a insegurança.

domingo, 11 de novembro de 2018

Deixa-me calar-te com um beijo


A palavra mais utilizada da língua portuguesa deve ser o "porque".

O ser humano precisa de uma explicação lógica para quase tudo, e o “porque” é a ferramenta predileta para esclarecimentos, seja perguntando ou respondendo.  Se a resposta iniciar com um belo “porque”, metade do trabalho já está pronto, nem precisa esclarecer direito.  Existindo um “porque”, por mais absurdo e sem sentido que seja, a coerência parece refeita. O “porque”, por si só,  tem o poder intrínseco de acalmar o interlocutor.
Por que o voo está atrasado? Porque o avião precisou fazer uma revisão nas turbinas. A atendente do balcão responde e o passageiro se satisfaz com a explicação, que justifica o atraso, mas não resolve o problema.  Segundo Nietzsche, precisa existir um “porque” e então a gente aguenta qualquer “como”.
 O problema é que quase nunca existe um único “porquê” ou um “porquê” definitivo para determinada situação. Geralmente respondemos com o “porque” mais instantâneo  ou desenvolvemos  uma explicação conforme a vontade do freguês.

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Adeus dói

Desculpa estar enviando esta mensagem pela Internet, mas pessoalmente não consegui falar. Tentei quatro vezes esta semana e mais quatro na outra. Quando chega a hora H, olho para ti e tranca tudo. Sabes exatamente como me manipular, ora pedindo desculpas com voz sedutora, dizendo que está numa fase difícil e vais mudar, ora me contradizendo tentando mostrar que sabes mais do que eu, e de nada adiantaria tentar me explicar, pois não compreenderia.

Também não foi fácil escrever. Não sei se por fraqueza, orgulho ou qualquer outra insegurança, precisei de duas taças de vinho para tomar coragem. Esta é uma carta de despedida, e dar adeus nunca é fácil. Escrevi frases que me envergonhei. Culpava, acusava, injuriava, e nem de longe era esta a minha intenção. Deletei centenas de vezes. Não sei como pude ficar tanto tempo sentindo o coração chorar, sem conseguir expressar com palavras aquilo que sangrava dentro de mim. Não me queira mal, estou botando fora aquilo que me machuca e nos afasta.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Todo o mundo tem um pouco



Diz a sabedoria popular que de médico e de louco todo mundo tem um pouco. De onde surgiu essa ideia? Não gosto muito de generalizações, mas, no meu caso particular, consegui o diploma de médico bem cedo na vida. Aos vinte e três anos já o tinha segurado nas mãos, levado para emoldurar e, poucos dias depois, estava lá, devidamente afixado em lugar nobre na parede do consultório. O título de louco foi muito mais difícil de conquistar. Exigiu um tempo bem maior para me aprimorar e, por enquanto, não está em exposição.

Confesso que durante a faculdade, cheguei a pensar em ser psiquiatra, mas todos os que eu conhecia eram, digamos assim, “um tanto” estranhos, e não queria, de forma alguma, ficar parecido com eles. Na época, fugia de qualquer coisa que se assemelhasse à loucura. A brincadeira era fazer do velho ditado um trocadilho, e dizer que os psiquiatras tinham “um pouco” de médico e “muito” de louco. Generalizações, como é sabido, conduzem a equivocidades.

Durante décadas, me considerei muito médico e pouco ou nada louco, mas a busca (ou quem sabe o caminho) da insanidade sempre esteve latente. Eventualmente apareciam sinais de maluquice, mas ainda muito incipientes. Aprendi a dançar flamenco, me inscrevi para trabalhar no circo de Soleil, ingressei na faculdade de filosofia. Nessa última, descobri  que o certificado de loucura era fornecido apenas para aqueles que estão privados do uso da razão ou do bom senso, e, até onde eu soubesse, filósofos primavam pela busca do saber, do conhecimento e da razão. Sentia-me seguro naquele ambiente racionalista. Mal sabia onde estava pisando.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Um sim já bastaria!

Não quero te ver. Não tenho vontade de te beijar. Não controlo mais meus sentimentos. Não sei se é o correto. Não pergunte o que aconteceu. Não sei lidar direito com o amor. Não sei me entregar. Não me leve a sério.  Será que estas expressões refletem o fim de um relacionamento ou de um amor? Depende...

domingo, 30 de setembro de 2012

Expressividade 1,2,3

 
Expressividade é o quanto cada pessoa revela dela mesma e quanto guarda para si. Quanto fica retido e quanto flui em direção ao outro. É uma característica individual  na relação consigo mesmo e depois em direção ao outro.

Não pode ser quantificada com exatidão. Algumas pessoas são completamente fechadas, não conseguindo liberar nada. Outras se abrem por inteiro, deixando passar de forma bruta tudo aquilo que vivenciam. A maioria filtra o que pode sair e o que deve ficar. Não existe certo nem errado, entretanto tanto a falta como o excesso podem causar dificuldades

                                             UM 

Às vezes não consigo entender nem expressar direito o que estou sentindo no exato momento em que as coisas estão acontecendo. Fico com aquilo apertando ou alisando minha alma durante um tempo, para depois então aflorar e ficar escancarado. Não sei se isto é bom ou ruim. A vantagem desta demora é que quando finalmente o sentimento mostra a cara, já vem amadurecido. A desvantagem é que pode chegar atrasado e perder a hora.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

5 minutos de coragem




Quantas vezes na vida é preciso ter coragem? Alguns dizem que para sobreviver neste mundo competitivo é preciso matar um leão por dia, portanto, toda a coragem será pouca. Minha visão é diferente, não mais que 5 minutos de coragem na vida são suficientes. Vou tentar explicar.

A vida é perigosa.  Frente ao perigo a mente humana calcula riscos, utiliza a lógica, pesa os prós e contras e como um negociante astuto decide se vai enfrentar ou recuar diante da situação imposta. Saltar de pára-quedas, escalar um vulcão, praticar esqui aquático podem machucar quem pratica. É natural que alguns fiquem receosos e não queiram enfrentar estes desafios. Não tem nada a ver com covardia ou coragem, é apenas o cérebro se protegendo ou divertindo. Nem todos gostam de adrenalina demais circulando pelo corpo.
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Acontece que nem sempre se dispõe de tempo suficiente para raciocinar. Quando somos pegos desprevenidos, o instinto de sobrevivência fala mais alto, assume o comando e determina a adequação de enfrentar ou fugir do perigo. Entrar em luta corporal com um assaltante ou saltar de um prédio em chamas necessariamente não envolvem coragem, por vezes os protagonistas relatam que agiram sem pensar e nem lembram direito como aconteceu. Foi tudo muito rápido, instintivo, reptiliano...