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quinta-feira, 28 de agosto de 2025

O Desastre do Não Fim

 

Começou como faísca, virou incêndio e depois cinzas. No lugar do calor, ficou só o silêncio. Um silêncio que não é paz, mas ausência. Minha avó já dizia: o divórcio começa no namoro.

Ela tinha razão. O afeto não se despede com gritos, simplesmente vai deixando de ser, evapora, some sem fazer alarde e cede lugar a um automático frio e desinteressado. O olhar que antes buscava conexão dura menos de dois segundos, o bom dia que era promessa de um novo começo se torna mera formalidade vazia, o abraço que antes era refúgio, agora se transforma em um tapinha nas costas, o toque deixa de ser desejo e vira hábito.

Não conversam, trocam recados com informações básicas do dia a dia. Cruzam no corredor, falam sobre contas, o que falta na geladeira, a agenda da semana, mas não falam sobre o que sentem, o que os aflige.

segunda-feira, 9 de outubro de 2023

Como marcar território

 

O que é “marcar território”? São mensagens diretas ou subliminares mostrando o comprometimento, empenho e até certo domínio sobre  determinado ambiente ou pessoa.

Cada vez mais as pessoas estão inventando novas técnicas e se tornando mais ousadas em utilizá-las. Vou mostrar algumas, mas a intenção não é de ensino e aprendizado, descrevo apenas como ilustração para o que virá na sequência.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Invisível ou holofotes? A escolha na palma da mão.


Você entra no elevador com um vizinho e precisam subir juntos sete andares. Só que você não está com a menor intenção de conversar, tampouco de ser gentil. Como fazer para não parecer mal educado ou autista? Muito simples. Tire o celular do bolso ou da bolsa, aperte qualquer tecla, finja um certo ar de preocupação ou ansiedade e faça de conta que está se conectando com alguém muito importante. Imediatamente, e sem formalidade alguma, estará liberado para se alienar e ignorar totalmente quem estiver à sua volta.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Quem está no comando?


Certa vez uma fotógrafa me ensinou a sorrir. Explicou que para o sorriso ficar bonito, o segredo não era sorrir com a boca e sim com os olhos. É o brilho do olhar e não o branco dos dentes que transmite a beleza. Quem conhece um sorriso de verdade, sabe que nem todo palhaço é feliz. Se você olhar para a câmera e tentar enxergar por trás das lentes um amor, um sonho ou aquilo que faria você dançar no meio da rua, seus olhos vão transmitir graça e encanto. Nem é preciso sorrir, o olhar se encarrega da formosura.

Com a corrida acontece o mesmo. Não são as pernas que fazem correr, elas apenas nos transportam. Correr é muito mais que colocar um pé na frente do outro. Para correr é necessário ânimo, energia, determinação. O corpo é o veículo, mas o combustível é a paixão. Quando as pernas cansarem, experimente correr com o coração; provavelmente vai conseguir uma performance melhor, poderá contemplar a paisagem e até mesmo esquecer que está correndo. Quem treina por gosto não cansa, ama correr.

segunda-feira, 31 de março de 2014

FRAGMENTOS DE AMOR, SEXO E POESIA


Como você se conecta nos ambientes e nas pessoas para escrever seus contos?

É mais ou menos como sintonizar uma estação de rádio. Você tem uma possibilidade enorme de emissoras e programas, mas você sabe bem o que quer escutar. Vai girando o dial. Escuta uma música que lhe incomoda os ouvidos, passa por um comentarista que não fala nada que lhe interesse, pula a estação que só apresenta desgraças, até que finalmente encontra aquele programa que estava procurando ou algum outro que lhe prendeu a atenção.

A partir dali, você pode escolher entre voltar a fazer as outras coisas que estava fazendo (dirigir o carro, cozinhar, escrever, fazer amor) ou ficar prestando atenção à entrevista que está no ar, deixar-se envolver pela música que está tocando, imaginar-se dentro da narrativa que está sendo apresentada...Em outras palavras, você pode escolher sintonizar “o” programa de rádio ou se sintonizar “com” o que está acontecendo no programa de rádio..

Quando entro em um café como este, me sintonizo neste ambiente. Por exemplo, presto atenção naquela senhora sentada ao fundo do salão. Pelo modo como ela segura a taça de chá, vira as páginas da revista, suspira de vez em quando, fecha os olhos, fica pensativa, posso quase que com certeza dizer que ela está lendo algo relacionado a alguém que gosta muito. Veja como acaricia a revista, como transmite uma sensação de paz...

Conecto-me naquela situação e na senhora, sintonizo-me ali e consigo percepcionar aquilo que meus sentidos estão me mostrando. Não me transformo nela, mas a sinto.

E como você transforma isto em palavras?

Não transformo. Escrevo aquilo que estou sentindo. Às vezes nem é o que estou vendo. Não procuro palavras bonitas nem frases de efeito. Aquilo que escrevo reflete a minha pessoa naquele momento.  Neruda escreveu uma vez que se lhe perguntassem o que é sua poesia, não saberia dizer; mas se perguntassem à sua poesia, ela lhes diria quem era ele.

Quando você ler algo escrito por mim e se me conhecer um pouquinho, não terá a menor dúvida que fui eu quem a escreveu. Assim como um pai têm certeza que o filho é seu, assim a poesia é identificada com seu criador.

Como você sente o amor?