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terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

O Preço de escrever



Este é o artigo número 200 deste blog. Nunca imaginei que manteria essa atividade por tanto tempo com tamanho entusiasmo e regularidade. Começou como uma brincadeira e foi ficando. Antes de qualquer coisa, quero agradecer aos leitores que me acompanharam, criticaram, aconselharam e, especialmente, tiveram paciência comigo na riqueza e na pobreza dos textos. Preciso de vocês, mas também devo confessar algo que talvez não gostem de saber. Escrever é o verdadeiro prazer, ser lido é uma satisfação complementar.

Jamais tive obrigação alguma de produzir textos. Escrevo porque gosto, sinto prazer, relaxo, me forço a pensar, desligo do cotidiano e no final, quando nasce o texto, quase sempre, sou possuído por um sentimento de arrebatamento. Em cada argumento que produzo, me dou o luxo de viajar com as idéias para qualquer lugar. Posso também ser quem eu quiser e, se me der vontade, utilizar minha caneta como uma arma potente e terrível, criticando, polemizando, elogiando, detonando, fazendo declaração de amor, pedindo perdão. Já pratiquei tudo isso, aberta ou veladamente, em postagens anteriores

quinta-feira, 12 de abril de 2012

A verdadeira nudez

Alguns leitores perguntam como acontecem tantas coisas em minha vida, como tenho tantas histórias para contar. Na verdade só consigo captar e contar uma parte muito pequena do que está acontecendo, o resto passa despercebido. Mesmo assim, esforço-me para tentar não ser um simples assistente ou personagem do enredo que me cerca.

Pequenas rotinas, comportamentos robotizados, teses definitivas causam-me espanto. Costumo querer saber por que, como, onde, quando se originaram regras, conceitos, relacionamentos, religiões, paradigmas. Acredito em vias alternativas e fico atento  ao lado B dos acontecimentos, aquilo que não é percebido se não houver sensibilidade, curiosidade,  treinamento e vontade de olhar em outras direções.  É por estes caminhos que surgem novas histórias e por onde podemos atuar pró - ativamente por um mundo melhor.

Um famoso mestre zen budista havia sido convidado para uma festa. Conforme sua forma de viver, compareceu vestindo sua modesta roupa, gasta pelo tempo e mal cuidada. O anfitrião, não o reconhecendo, expulsou-o dali. O mestre voltou para casa, trocou de roupa, vestiu um manto bordado com pedrarias e retornou para a festa. Desta vez foi recebido com toda a pompa e conduzido a um local especial reservado para autoridades. Lá chegando, tirou seu manto e colocou-o cuidadosamente na cadeira. “Não tenho dúvidas de que esperavam pelo meu manto, já que não me deixaram entrar  pela porta na primeira vez que vim”. Virou as costas e foi embora.