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domingo, 5 de outubro de 2025

Você sabe perdoar?

Pense numa traição. Não qualquer uma, mas aquela. A que deixou

cicatriz, A que veio de quem estava perto, dividia a mesa, os sonhos

e até o silêncio. De quem você menos esperava. Porque, sejamos

francos, inimigos não traem, apenas confirmam o que já

esperávamos deles. Quem nos apunhala pelas costas geralmente é

uma mão conhecida.


Você seria capaz de realmente perdoar? Não falo do perdão

superficial, automático e banal que se usa como etiqueta social para

encerrar uma discussão e salvar as aparências. Estou falando do

perdão profundo, quase sobre-humano, que exige rasgar o próprio

orgulho e encarar de frente o traidor e a ferida aberta.

terça-feira, 2 de setembro de 2025

Você perdoaria uma traição?

 

Foi numa terça-feira qualquer. O celular dele esquecido sobre a mesa vibrou. A tela acendeu, uma frase curta com um nome que não era o dela: te espero nua para jantar, tua Paula.

Ela leu, releu, procurando um engano, um contexto que salvasse a situação, uma explicação que fechasse a ferida antes mesmo dela sangrar. Mas não havia.

Nos dias seguintes, ela oscilou entre dois extremos: a raiva que a queimava por dentro e o amor que ainda insistia em segurá-la na relação. Vontade de ir embora, vontade de acreditar.

domingo, 14 de fevereiro de 2021

Na cama de outro

 

 

Um pouco antes de iniciar a pandemia, um amigo me procurou pedindo ajuda. Estava tendo um caso extraconjugal e foi descoberto pela esposa. Confusão formada, separação iminente.  Arrependido, não sabia mais o que fazer, não queria se separar, já havia implorado o perdão, no entanto o clima não estava nada favorável. Magoada, a esposa pediu que ele saísse de casa.

Conversei algumas vezes com o casal tentando ajudá-los. Devido à quarentena, houve certa dificuldade para ele encontrar um lugar onde morar de imediato, então foi ficando. Ele dormindo na sala, ela no quarto. Entreguei a eles um texto e pedi que lessem juntos, se possível à noite, bebendo um bom vinho tinto e depois fossem dormir. Não era necessário discutir o assunto, apenas ler.  Estranharam o pedido, mas não recusaram.

Ontem recebi um vídeo onde ele a pedia em casamento pela segunda vez.  Ela aceitou. Ambos estavam abraçados, chorando e sorrindo de felicidade. Autorizaram-me a publicar o texto no intuito de quem sabe ajudar algum outro casal que possa vir a passar pela mesma situação. Então ai vai:

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Encontro


- Quer namorar comigo?
- Namorar pra quê?
- Pra gente se conhecer melhor.
- Conhecer melhor pra quê?
- Pra saber se você é a pessoa certa para mim.
- Certa pra quê?
- Pra ter um relacionamento sério.
- Não entendi, você não acha namoro um relacionamento sério?
- Não, namoro é uma experiência, um ensaio para a coisa real. Namoro é a melhor maneira de se conhecer e escolher a pessoa certa.
- Fala sério, você acha mesmo que namorar várias pessoas pode dar mais experiência e levar a um casamento melhor?  Namoro longo significa conhecer efetivamente o parceiro? Ir ao cinema, restaurante, clube, shopping, viajar, jogar cartas, andar de mãos dadas, apresentar para a família, dormir juntos, seria a formula para revelar ou decodificar pessoas? Gostar das mesmas coisas é garantia de sucesso num futuro relacionamento?
- Certeza não se pode ter, mas é assim que as pessoas se conhecem.
- E se esta experiência der errado?

terça-feira, 3 de julho de 2018

Quando todos julgam, ninguém é inocente

Troquei os nomes para não comprometer, mas a história é verídica.

Pedro (21) e Ana (18) conheceram-se no verão em Atlântida. Foi numa daquelas baladas que iniciam depois da meia noite e só terminam ao amanhecer. Ele se aproximou, ela não se afastou. Ele pegou sua mão, ela não retirou. Ele chegou mais perto, ela o beijou. Não se soltaram mais. Um só tinha olhos para o outro. Fizeram mil planos, realizaram quinhentos, refizeram duzentos, esqueceram os outros trezentos. Não importa, estavam felizes.

Um destes planos era uma viagem no mês de julho para Porto de Galinhas, Pernambuco. Queriam escapar do frio no inverno gaúcho. Economizaram, utilizaram pontos para comprar a passagem aérea, reservaram uma pousada perto do mar e partiram para uma lua de mel de quinze dias.

Foi a viagem dos sonhos, voltaram ainda mais apaixonados. Ficaram especialmente encantados com um passeio de jangada que percorria um mangue até chegar a um parque ecológico onde existe uma área de preservação de cavalos marinhos. Puderam observar e até mesmo tocar os pequenos animais.

Ficaram sabendo que cavalos marinhos só se relacionam sexualmente com um parceiro por toda a vida. Quando um dos dois morre, o outro se isola e fica solitário até morrer também. Além de escolherem um único parceiro, nessa espécie é o macho quem engravida, possuindo uma bolsa incubadora onde carrega os ovos depositados pela fêmea. Alguns estudos em cativeiro desmentem a fidelidade dos cavalos marinhos, mas isto também pouco importa.

terça-feira, 1 de maio de 2018

A senha do Paraiso

Quando completamos um mês de namoro, Marta pediu a senha de meu celular. Alegou que seu telefone era desbloqueado, não tinha nada a esconder e gostaria de reciprocidade. Foi além, disse que concederia alguns dias para que excluísse conversas e fotos comprometedoras do passado, pois não gostaria de abrir meu aparelho e encontrar outras mulheres me abraçando, mesmo que estes fatos houvessem ocorrido cinco, dez ou quinze anos atrás.
Fui pego de surpresa com este pedido, realizado sem anestesia nem aviso prévio. Aliás, na hora não consegui distinguir se aquilo era um pedido, uma ordem ou brincadeira. Confesso que também nunca havia pensado direito no assunto, mas uma coisa posso afirmar, não gosto de receber ordens, muito menos de uma namorada de trinta dias. Não sabia o que responder, talvez até liberasse a senha, mas imaginava que aquilo deveria ser iniciativa minha.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Limites ou horizontes?

- Nosso relacionamento é aberto ou fechado?
- Por mim tanto faz.
- Desculpa, mas para mim não é assim. Só consigo me relacionar se houver fidelidade conjugal. Relacionamento fechado.
- OK, combinado.Vamos fechar, mas precisamos esclarecer algumas questões. Se meu personal trainer convidar para um café depois da aula e eu aceitar, isto é considerado infidelidade?
- Claro que não.
- Preciso lhe contar sobre o café? Não aconteceu nada, conversamos sobre dieta e exercícios.
- A principio, não é necessário que eu saiba tudo sobre sua vida. Tudo certo querida.
- Na outra semana, o personal me convida pra jantar.  Não vai rolar nada proibido, ele só quer me apresentar um programa de treinamento para a maratona de abril. Preciso lhe contar? Você acha isto uma forma de infidelidade conjugal?
- Confio em você querida, não precisa contar.
- Quinze dias depois, você vai viajar e o personal me convida para assistir um filme sobre a maratona de Paris em seu apartamento. Oferece-me um vinho, fico um pouco tonta e durmo com ele. Quando você retorna, exponho o que aconteceu e comunico que nosso relacionamento, antes fechado, agora deixou de ser. Você acha que ao narrar o fato fui fiel ou infiel a você?

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Sem dúvida alguma

O programa era sobre "Ética nos relacionamentos - fidelidade".
Telespectadores enviaram tantas  perguntas, que a duração de uma hora não conseguiu responder todas as questões.
Engraçado, pois este assunto não deveria gerar dúvida alguma.
Se quiserem assistir, a gravação está no link abaixo. A qualidade da reprodução via internet não é das melhores, mas quebra o galho.
http://www.livestream.com/olhartvonline/video?clipId=pla_e1992c04-363e-47bf-b57f-1210181e214b

domingo, 2 de junho de 2013

Ciúme do Cão

Participo de um grupo de literatura onde uma vez por mês escolhemos um tema e cada um escreve o que bem entender sobre o assunto. Pode ser crônica, poesia, conto, ensaio, relato pessoal, vale tudo. Assim como as pessoas são diferentes, também as maneiras de ver, sentir, encarar, escrever e lidar com a vida  variam.  Desta forma, no final do mes, ficamos ansiosos aguardando pra ler o que os outros postaram sobre assuntos como ciúme, riscos, amor, fim, destino. Sempre nos surpreendemos com idéias novas sobre o mesmo tema, Talvez um dia esta brincadeira se transforme em livro.
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O assunto do mês de abril era ciúme. Queria fugir do lugar comum (ciúme entre homem e mulher) e decidi escrever sobre ciúme de pai com o filho. O artigo foi publicado no site na data de 25/04/2013. A titulo de curiosidade, achei interessante postar agora uma daquelas visões completamente inusitadas do assunto. É uma homenagem a todos aqueles que gostam e criam gatos. Desculpem os cachorreiros, mas é apenas uma crônica bem humorada sobre ciúme. Espero que os outros colegas do grupo não fiquem com ciúme da Claudia Marques, autora do texto.
CIÚME DO CÃO
Você acredita que precisa cercar seu amado por todos os lados para evitar a possibilidade de uma traição?
Imagina que deve ser o único interesse do seu amado, e que todo o tempo livre que ele tenha (leia-se não estar trabalhando) deve passar com você? Você tem um ciúme do cão?

Uhmmmmmm, situação grave, mas possível de ser solucionada. Aprenda a conviver com um gato. Isso mesmo, um felino, um bichano.

sábado, 28 de abril de 2012

Por que confiar?


Faz tempo que tenho vontade de escrever sobre confiança. Alguns bloqueios e muitas dúvidas seguraram meu ímpeto de colocar no papel o que pensava. Precisei conversar com pessoas, testar níveis de confiança, fazer pesquisa de campo até decidir  compartilhar minhas idéias.

Para uns, confiança é um ato de fé e dispensa raciocínio; para outros, confiança não é inata e precisa ser conquistada. Seja como for, confiança é algo a ser dado ou emprestado a alguém como crédito ao bom comportamento. Funciona como um presente que é ofertado em determinado momento da relação e sinaliza uma expectativa de que esta pessoa ou entidade está orientada para decidir nossos interesses tão ou melhor que nós mesmos faríamos se estivéssemos em seu lugar. Resumindo, confiança é a previsibilidade de valores comportamentais em qualquer situação, até mesmo diante do imponderável.  Cabe uma indagação: é possível prever o comportamento do outro?

sábado, 31 de dezembro de 2011

Os riscos de um novo ano



Você gosta de correr riscos? Jogar em cassino, fazer sexo casual sem preservativo, dirigir alcoolizado, conversar com estranhos, aplicar dinheiro no mercado de ações, fumar, não realizar exames médicos de rotina...

Algumas pessoas têm aversão a riscos, outras adoram, apostando até o limite da delinqüência. A maioria, entretanto, prefere ser cautelosa, sacrificando possíveis ganhos em troca de tranqüilidade. Por que alguns se protegem e outros se expõem? Talvez pelo grau de sensibilidade individual em relação a riscos e recompensas.

Parece simples dividir as pessoas em dois grupos, os que jogam e os que não arriscam. Na prática não é tão fácil assim.  Mesmo os mais conservadores, aqueles que avaliam todas informações disponíveis, calculam custos, benefícios e tomam  decisões depois de avaliar meticulosamente as probabilidades,  podem não resistir e eventualmente cair na tentação de jogar com a sorte. Estudos demonstram que quanto mais a recompensa torna-se palpável e imediata, maior o prejuízo na capacidade de avaliar riscos e maior a chance de arriscar para tentar ganhá-la.

sábado, 15 de outubro de 2011

Fui traido, e agora?


 Responda com sinceridade, você tem uma pessoa na qual pode confiar cegamente, entregar a chave de sua casa, passar uma procuração de seus bens, contar seus segredos mais íntimos? Não vale pai, mãe, filho, irmão. Tem que ser uma pessoa sem laços de consanguinidade.

Eu achava que tinha, até o dia em que fui pego de surpresa. Uma pessoa da minha inteira confiança me traiu. A dor foi grande, nem tanto pelo ato em si, mas pela indignação, pois jamais esperava isto dela.  Fiquei muito mal, não sabia como me comportar. Engoli tudo em seco e não tomei nenhuma atitude em represália. Acho que estava em estado de choque.