quinta-feira, 4 de maio de 2017

Conheça seu amor

Em meu artigo anterior “Ame mais, fale menos” comentei que amor era apenas uma palavra que sequer conseguia expressar o sentimento de uma pessoa, quem diria de um casal ou do universo inteiro. Falar, cantar, conceituar, escrever poemas e novelas sobre o sentimento amor é fácil. Difícil mesmo é olhar para dentro de si e decifrar aquilo que está sentindo. Mais complicado ainda é expressar este sentimento. Envolve outra pessoa, pode causar ressentimentos, mal entendidos. Alguns consideram o assunto um tabu, não vão a fundo na questão, superficialmente classificam seu sentimento como amor, declaram-no verbalmente e ponto final.

Mas esta nomenclatura é apenas uma suposição, não sabem de verdade se aquilo que estão sentindo é amor. Não existe um manual de comportamentos para saber com certeza se aquilo que sentem ou fazem pode se enquadrar no rótulo amor. Também pouco importa se o nome do que você está sentindo é amor ou não, mas pode se tornar essencial, se o outro imaginar que aquilo que ele sente, nomeia e manifesta não for igual ao que você lhe revela como amor.

Parece que a convenção para que um relacionamento funcione, é que as definições de amor sejam semelhantes ou quase iguais. E nem sempre são compatíveis. Pena que grande parte dos casais só se dê conta disto e venha a apreciar com mais cuidado seus sentimentos quando a falta de sintonia começa a apresentar sintomas.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Ame mais, fale menos.

Será que isto é amor? Esta é uma pergunta que muitos morrem angustiados sem saber responder. Felizes daqueles que afirmam categoricamente sim. Ainda que não tenha durado para sempre, que tenham sido anos, meses ou dias, esta certeza é melhor que a dúvida ou a negativa.

Se o amor foi correspondido ou não, é outra história. A questão é saber se amou ou não amou.  Passar uma vida inteira e ao final constatar jamais ter amado alguém é um desperdício. Ou pior, passar anos fazendo análise para saber se realmente era amor aquilo que sentia e morrer na dúvida. Desperdício dobrado.

Houve um tempo em que amar significava comprometimento. Dizer “eu te amo” era declaração de um sentimento único e raro em uma relação diferente de todas as outras. Um envolvimento sólido, uma ligação pra valer. Eram necessários meses ou anos de convívio e muita coragem para solenemente declarar amor por aquela pessoa especial. Jamais seria escrito via whatsapp seguido de figuras de coraçõezinhos ou beijinhos. O amor era revelado ao pé do ouvido, olhando nos olhos, entrelaçando as mãos, e significava quase um pedido de casamento. Em tese, sabiam do que estavam falando.

domingo, 5 de março de 2017

O preço de ser rei

Nasci com nove anos de idade. Alfabetizado, todos os dentes na boca, nunca usei fraldas ou chupei bico. Não lembro de nada antes dos nove. Não sei com quantos meses comecei a andar, a primeira palavra que falei, meu brinquedo predileto, o gosto da mamadeira, o nome das professoras da escola. Nunca tive o tradicional álbum do bebê, sequer me interessei em perguntar. Tudo que alcanço desta época me foi relatado, lembrança zero. Dizem que era tratado com todas as mordomias, como um reizinho, apelido que carrego até hoje. Mas por que esqueci ou apaguei da memória um período tão glorioso de minha vida? Tenho algumas hipóteses.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Não entendi. Sinto muito.




Pessoas que terminam frases com a pergunta “não é?” me intrigam. Sempre quis saber como funciona a mente destas criaturas.

Quando Pedro diz que segunda feira é o pior dia da semana, e,  em seguida, me interroga com o detestável “não é?”, na prática, efetivamente está esperando minha confirmação para avançar com a conversação.  Precisa de cumplicidade e aprovação para continuar o raciocínio. Por que a cada duas ou três frases estas pessoas precisam de um apoio, uma base para suas falas?

Geralmente não nos dão tempo para responder, mas é assim mesmo que funciona o jogo. Ao falar o "não é", encaram-nos firmemente, constrangendo-nos e, meio que sem jeito, educadamente balançamos afirmativamente a cabeça, piscamos ou baixamos os olhos. Já é o bastante para que concluam que concordamos e prossigam seu falatório. Na verdade, não querem escutar nossa resposta, precisam apenas de um sinal verde para ir em frente com seu discurso.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

padrinho de casamento

Fui convidado para apadrinhar um casamento. O noivo era um amigaço. Desde a adolescência fomos parceiros nas boas e nas ruins. Conheci todas as namoradas anteriores. Dei palpites, conselhos, apresentei, consolei, apoiei, menti que estávamos juntos para limpar a barra, ajudei a terminar, emprestei o carro, fiz sala para a amiga chata, telefonei na hora marcada pra livrar da encrenca. Enfim, torcíamos um pelo outro, jogávamos no mesmo time, acreditávamos, confiávamos e nos defendíamos mutuamente. Claro que eu tinha de ser homenageado como padrinho deste casamento.

Claro mesmo? Nem tanto. Minha intimidade era com o noivo. A noiva conhecia superficialmente, de encontros e conversas sociais. Era a mulher que meu amigo havia escolhido para casar, simpática, bonita, inteligente, bom papo e estavam apaixonados. Tinha certeza que representava o papel de melhor amigo, no entanto, não sabia qual seria minha função como padrinho do casamento.

Acontece que não tive tempo de fazer estas elucubrações filosóficas, fui pego de surpresa com o convite, que veio da seguinte forma: “Cara, eu sempre disse que um dia teria sorte, encontraria e casaria com a mulher da minha vida. Quero que você esteja comigo, ao meu lado, como padrinho, na hora de dizer o sim. Preciso de ti”.