Nem todo mundo que reaparece na sua vida merece uma
festa de boas-vindas.
Tem gente que some sem dar notícia. Sem mensagem, sem
ligação, sem um mísero "como você está?". Nada. Aí, meses ou anos
depois, numa terça-feira qualquer, o celular vibra: "Vi um filme e lembrei
de você.
E só. Nenhuma explicação. Nenhum contexto. Nenhum
detalhe. A pessoa joga uma frase pela metade e deixa você fazendo o resto do
trabalho.
Qual filme? Porque existe uma diferença enorme entre
lembrar alguém assistindo um romance e lembrar assistindo Velozes e Furiosos. Dependendo
do filme, muda completamente o significado da saudade. Mas eles nunca contam.
E tem também a mensagem clássica: "Sonhei com você".
Essa é genial, porque terceiriza tudo para o inconsciente. A pessoa não assume
nada. Não foi ela que lembrou de você. Foi o sonho. Foi qualquer um, menos ela.
Conveniente.
O "lembrei de você" permite uma fuga elegante. Se você responder com entusiasmo, a conversa continua. Se você ignorar, foi apenas um filme, um sonho. Uma lembrança inocente. Sem riscos, sem exposição, sem responsabilidade.
Mas a verdade é que essas mensagens raramente falam
sobre filmes ou sonhos. Elas são testes de acesso. A pessoa não quer saber como
você está. Ela quer descobrir se a chave antiga ainda funciona, se o celular
ainda é o mesmo, se o coração continua disponível, se a porta abre com um
empurrãozinho.
Quem
reaparece com mensagem pela metade não está voltando para ficar, está apenas
checando o território. Quem realmente deseja
reconstruir algo assume o sumiço, explica a ausência, conversa com sinceridade.
Alguns
voltam por saudade, outros por mera curiosidade. Alguns porque amadureceram;
outros, simplesmente porque estão sozinhos.
Por isso, quando alguém do passado reaparecer, não
tenha pressa. Nem toda saudade merece reencontro. Nem toda lembrança pede
continuação. E nem toda porta precisa ser aberta só porque alguém ainda sabe
onde fica a maçaneta.
Maturidade não é manter todas as portas fechadas. É
saber exatamente quais ainda fazem sentido abrir. Respeite isso. Não transforme
em convite aquilo que o tempo já tinha encerrado em silêncio.
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