Você está distraidamente caminhando
pela rua, infelizmente tropeça numa pedra, cai e torce o pé. Está doendo
muito. O que você instintivamente faz?
Procura não pisar no chão para não doer mais e não aumentar a machucadura.
Quando está com dor de dente, basicamente repete o mesmo procedimento: procura
não mastigar daquele lado pra não acentuar a dor. Quando está com cólicas, se
encolhe num canto, não se mexe, mal respira e espera a dor passar. E quando está com dor na alma, o que você
faz?
quarta-feira, 1 de julho de 2020
segunda-feira, 15 de junho de 2020
O que é que há?
Estamos casados há três anos. Sou
design de interiores e meu marido trabalha com organização de grandes eventos
(shows em ginásios e estádios). Não temos filhos. Nossa rotina, até bem pouco
tempo, era acordar cedo, enquanto um
tomava banho o outro preparava a mesa do café, saboreávamos juntos e em seguida, cada um
partia para seu trabalho. Encontrávamos-nos à noite e sempre inventávamos algo
diferente pra fazer. Nossa vida era maravilhosa, praticamente ainda estávamos
em lua de mel, mas, como nada dura para sempre, surgiu esta pandemia do
coronavirus e estragou tudo, nossa vida virou de ponta cabeça.
Eventos com aglomeração de
pessoas foram cancelados por tempo indeterminado e sem previsão de retorno das
atividades. Com isto, cessaram todas as rendas de meu marido e os afazeres profissionais
também. Vivia em reuniões, ensaios, apresentações, viagens, o telefone não
parava de tocar; agora, os negócios estão parados e ele paralisado. Com medo de
se contaminar pelo vírus, fica trancado em nosso apartamento esperando por dias
melhores.
Eu também. Meu trabalho como
design já estava andando devagar, agora estacionou de vez. Quem vai pensar em
investir na decoração da casa ou do escritório numa hora destas? Não tenho
emprego, trabalho como profissional liberal e meus ganhos e compromissos também
zeraram. Possuímos algumas economias guardadas que podem nos sustentar por um
bom tempo, mas este não é o problema maior.
quinta-feira, 4 de junho de 2020
Fé ou não Fé?
Este é um artigo sobre fé, se você não tem, não vá adiante, nem perca
seu tempo.
Opa! Continuou a leitura. Depois não diga que não avisei. Então, antes
de prosseguirmos, é bom deixar claro o que entendo por fé. Convicção intensa,
persistente e incondicional em algo ou alguém, ainda que não haja nenhum tipo
de evidência objetiva racional que comprove a veracidade da hipótese. Nenhum
dos cinco sentidos humanos consegue identificar o objeto da fé, não pode ser
visto, ouvido, cheirado, degustado ou tocado, no entanto, existe a certeza da
visão e palpação do invisível.
Mais um detalhe, não há espaço para fé e dúvida no mesmo coração, ou
seja, ou a pessoa tem fé ou não tem. Não existe um pouquinho de fé, nem meia fé.
Também não se deve confundir religião com fé. Religião é uma instituição com
missa, culto, oração. Fé é gratidão, confiança, crença. Podem até se misturar,
mas não obrigatoriamente. Agora que a fé já está bem conceituada, ainda dá
tempo de desistir e fazer outra coisa, pois vamos seguir com fé.
Uau, ainda aqui? Ou você é muito curioso ou é uma pessoa de fé. Já, já
vamos descobrir. Você tem fé nos políticos e governantes? Lembra que não existe
meia fé, não é? Acredita que abrindo e fechando cidades, montando hospitais de
campanha, decretando regras desencontradas, estão realmente empenhados em
defender a população do coronavirus sem nenhum interesse pessoal ou partidário?
O poder público será nossa salvação, está escondendo algo ou se encontra
completamente perdido? Como está sua fé no governo e tribunais de justiça?
Acredita neles? Sim ou não?
segunda-feira, 11 de maio de 2020
Copie e cole
Foi nossa primeira quarentena, não
tínhamos experiência alguma. Fomos pegos de surpresa, pensávamos que seria apenas ficar sem sair
pra rua e se proteger do vírus. Imaginávamos que talvez durasse uns quinze a
vinte dias. Arrumaríamos armários, assistiríamos filmes, leríamos livros,
descansaríamos. Enfim, colocaríamos em ordem todas aquelas coisas que
reclamávamos não ter tempo pra fazer. Estamos conseguindo dar jeito nas coisas
materiais, só que a ordem das coisas sentimentais não estava prevista e o furo
foi mais embaixo. E bem mais profundo.
Meio insegura do que estava por
vir, cheguei a te convidar pra ficarmos juntos aqui em casa. Estava disposta a tentar
viver vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana trancada com meu amor
entre quatro paredes. Teríamos um tempo só para nós. Seria uma experiência
arriscada, nossa intimidade seria colocada à prova. Talvez acabasse com nossa
relação, mas se desse certo, seria maravilhoso, a quarentena dos sonhos.
Percebendo minha insegurança na
proposta, você vacilou, hesitou, e, por fim, pressionados pelo medo (do vírus e
do companheiro), resolvemos que o melhor seria cada um ficar no seu canto,
cuidando de sua individualidade. Covardemente, deixamos o temor decidir por
nós.
segunda-feira, 4 de maio de 2020
Carpe Diem
- Hoje vamos conversar sobre o significado de
nossas vidas. Por que viemos a este mundo? Quem somos? O que queremos desta
vida? O que esperam de nós? A quem temos sido fiéis ou infiéis? Estamos nos
comportando com covardia, valentia ou alienados? Por que ou para que existimos?
O que pensam sobre isto?
O público presente no seminário tinha idade média
de cinquenta anos, nível cultural e
financeiro elevados. Silêncio total no auditório, ninguém respondeu. Cabeças
abaixadas, corpos paralisados, mudez colossal. Insisti com a pergunta
fundamental, qual a opinião de vocês sobre o significado da vida?
Diante da paralisia, adotei o mesmo comportamento
da plateia, sentei numa cadeira, calei-me e fiquei aguardando algum ruído ou
movimentação. Depois de um silêncio constrangedor, um senhor da terceira fila
timidamente levantou e respondeu: “Desculpe-nos doutor, como não sabíamos que
este seria o tema da palestra, não nos preparamos”.
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