Cresci escutando e quase sempre acreditando no velho chavão da cultura
popular “A primeira impressão é a que fica”. Segundo essa premissa, se você vai
a um primeiro encontro, arrume-se bem, coloque perfume, seja agradável,
interessado na conversa e suas chances de que o outro tenha uma boa impressão
aumentarão bastante. Só que não. É muito difícil saber o que vai impressionar o
outro e, mais ainda, a primeira impressão, seja lá qual for, apesar de ser importante,
nem sempre é confiável e não precisa ser definitiva.
sexta-feira, 16 de agosto de 2019
quinta-feira, 25 de julho de 2019
Chore mais
Antes você era um sonho, um amor
utópico. Depois, uma realidade maravilhosa. Agora, apenas uma recordação. Uma
bela recordação. Doeu ter deixado nossa história no meio. Doeu saber que
podíamos e não fizemos. Ainda bem que existe outro dia, outros sonhos, outros
risos, outras coisas. Me construí com todo o amor que você não quis mais. Dei
tudo o que tinha que dar. Acabou. Me deixa aqui quieto. Com meus pensamentos,
minhas ausências, teus silêncios. Estes olhos já não choram mais por ti.
Por que nosso personagem deixou
de chorar? Será que já esqueceu a amada? Provavelmente não. Será que as
lágrimas secaram porque acabou o sentimento por ela? Acredito que também não
seja este o motivo. Será que chorou tanto que já não existem mais lágrimas?
Certamente não é o caso. Vou arriscar uma hipótese, mas antes preciso falar um
pouco sobre chorar.
sexta-feira, 7 de junho de 2019
O acaso vai nos proteger
Eventos aparentemente aleatórios e
inconsequentes podem levar a grandes prejuízos. O simples bater de asas de uma
borboleta na Amazônia pode causar um tufão no Texas. Da mesma forma, uma xícara
de café que foi tomada pela manhã, pode alterar a vida de uma pessoa. Por
exemplo, se o tempo que o indivíduo demorar tomando o café fizer com que ele se
atrase e cruze com a mulher de sua vida na estação de metrô, ou não seja
atropelado por um carro que atravessou o sinal vermelho, estamos frente a esta
relação de casualidade.
No filme “O efeito Borboleta”, realizado em
2004, um jovem de 20 anos descobre que é capaz de viajar no tempo e mudar o
passado. Decide então mudar a trajetória de sua vida e de amigos próximos
corrigindo falhas cometidas lá atrás. Na tentativa de alterar a direção de suas
escolhas, acaba criando futuros ainda mais desastrosos. Mesmo com boas
intenções, a mínima mudança na linha do tempo dos fatos, pode levar a
consequências imprevisíveis.
O que teria acontecido se na
minha adolescência, tivesse declarado pessoalmente meu amor para aquela colega
de aula, a mais bonita da turma, e iniciássemos um namoro? Talvez hoje, os
filhos dela seriam os meus e o meu filho seria de outro homem qualquer.
terça-feira, 14 de maio de 2019
Relacionamento Sério
Tenho pena das pessoas que estão
num relacionamento sério. Não sei se a palavra pena seria a mais adequada,
talvez fosse melhor dizer que lamento saber que entre tantas opções, escolheram
entrar justo numa relação deste tipo. E fica pior ainda, quando estas mesmas
pessoas orgulhosamente compartilham seu status na mídia social - #em um
relacionamento sério#.
Relacionamentos sérios são
cautelosos, vigilantes, sisudos. Envolvem posse, ciúme, cobrança, julgamento,
competição para saber quem é mais inteligente, mais esperto, mais esclarecido.
Uma guerra sem exército, disputada dia a dia para definir quem vai mandar em
quem. Não é permitido falhar, estão sempre em guarda, sempre devendo,
fiscalizando, reclamando. Nunca tiram folga para se querer, desejar, amar. Nem
quando estão juntos, tampouco quando se separam.
Relacionamentos sérios vão se
consumindo dia a dia. São contratos, acordos, fugas, silêncios, distâncias,
dissimulações estrategicamente construídas e egoisticamente preservadas para
manter a aparência de um relacionamento estável e perfeito, coagindo,
conscientemente ou não, o amor a calar,
chorar, desabar, definhar e morrer.
segunda-feira, 1 de abril de 2019
Insubstituível
Recentemente participei de um
Congresso Mágico, onde além de aprender novos truques e ilusões, discutia-se
também o mercado de trabalho. Estava particularmente interessado numa palestra
sobre magia na TV e em navios de cruzeiro. Não tinha a menor ideia de como as
coisas funcionavam. É mais ou menos assim: se você quer trabalhar num navio,
envia currículo com locais onde já se apresentou, vídeos com shows, carta de
apresentação e fica aguardando e rezando para que um dia seja chamado para
entrevista.
Na televisão já é um pouco
diferente. Um dia lhe telefonam dizendo que estão precisando de um mágico em
determinado programa e lhe convidam para participar. Às vezes o convite é feito
de última hora. Sabendo da divulgação que a mídia televisiva oferece, o mágico desmarca
todos seus compromissos e comparece feliz da vida ao programa. Não raro, surge
um imprevisto, a entrevista anterior se prolonga, uma catástrofe precisa ser
noticiada, um artista famoso precisa divulgar seu novo disco e a apresentação
do mágico é cancelada. Ficou o dia inteiro à disposição, deixou de trabalhar e
vai para casa com um pedido de desculpas. Ocasionalmente recebe uma ajuda de
custo pelo incômodo.
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