sexta-feira, 10 de setembro de 2021

Um minuto no futuro ou uma hora no passado?

 

Um minuto no futuro ou uma hora no passado?

Se lhe fosse oferecida uma destas experiências, qual seria sua escolha? Nunca pensou nisso? Difícil escolher? Vamos facilitar as coisas.

sexta-feira, 27 de agosto de 2021

Tempo de espera

 

Certa vez, dez anos atrás, fui contratado por uma editora para escrever um livro sobre salas de espera de consultórios de saúde. Sendo médico, filósofo e escritor, acreditaram que eu teria plenas condições de realizar esta missão.

Trabalhei com afinco e prazer por vários meses. Iniciei falando que nem tudo na vida pode acontecer exatamente no momento desejado. Algumas situações exigem esperar. Esperar o nascimento de um filho, a diplomação na faculdade, a cura de uma doença, o pagamento no final do mês, o sinal de transito abrir, a tempestade acalmar, a pandemia acabar, a raiva passar.

sexta-feira, 6 de agosto de 2021

Impossível? Talvez...

 Talvez. O que significa a palavra “talvez”? Nada. Talvez é uma palavra intermediária entre o sim e o não. Quando alguém não sabe o que dizer ou não quer se comprometer com algo, solta um talvez no inicio da frase e automaticamente se livra da obrigação.

Talvez eu possa ir no jantar amanhã. Qual o conteúdo dessa frase? Nenhum, pode ser que consiga ir no jantar ou pode ser que não compareça. Esperar até amanhã é muito tempo quando se tem um talvez por trás. Talvez é uma palavra vazia, ilusória, parece que está dizendo algo mas na verdade não diz nada, semeia a dúvida e a insegurança.

quarta-feira, 14 de julho de 2021

CHEIRO


Não sinto mais teu cheiro. Na verdade, não sinto mais teus cheiros. Eram muitos. Na cama tinhas um cheiro que me deixava entorpecido, começávamos a nos abraçar e o cheiro que emanavas instantaneamente me atraia direto para tua boca. Não conseguia mais me desgrudar. Era uma mistura de suor, feromônio, excitação, desejo, malicia, sedução. Não consigo descrever com palavras, mas era algo surreal, envolvente demais. O cheiro ficava impregnado nos lençóis e dali se espalhava no ar por todo o quarto.

Dormir naquela conjunção de aromas era o paraíso, mas isso não era tudo, a festa ainda não havia acabado. De manhã cedo saias da cama de mansinho e entravas no banho. Não sei por que, mas deixavas a porta entreaberta e por ali começava a entrar outro cheiro, exatamente o antagonista daquele da cama. Também não consigo explicar direito, mas era uma combinação de pureza, frescor, inocência, juventude, perfeição, completude, felicidade. Os dois cheiros se completavam e fechavam um ciclo.

segunda-feira, 5 de julho de 2021

A grama do vizinho

 

Olho distraído para o lado e vejo a grama do vizinho. Está num tom verde  extraordinário. Um tapete impecável. Comparo com meu jardim e vejo que há manchas causadas pelo sol, pequenas pragas, falhas na grama. Parece um capim selvagem.  A grama do vizinho é mais verde e mais bonita que a minha? Claro que sim, qualquer um pode ver.