quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Você sabe o que eu sinto?

Por mais que o conhecimento médico tenha evoluído e se apossado de  recursos tecnológicos cada vez mais precisos, ainda assim, muito se faz necessário para que possamos conhecer como funciona o corpo humano. Quantos milímetros de pele, músculos, tecidos e ossos ainda precisarão ser pesquisados para que possamos dizer com segurança que dominamos integralmente a fisiologia e patologia do organismo humano?

Se o entendimento da parte corpórea já apresenta tamanha dificuldade, imagine o lado emocional? Será que algum dia teremos informação suficiente para decifrar os códigos do mais intrínseco enigma da raça humana?

Muito se tem estudado, mas ainda estamos engatinhando. A maioria das pesquisas direciona-se no sentido das tendências. Podemos imaginar, perante uma criteriosa análise do comportamento passado o que poderá se desenhar no futuro, mas nunca saberemos com exatidão o que passa na cabeça do outro.

sábado, 17 de agosto de 2013

Não pergunte que eu respondo

Nascemos. 

E a partir deste momento mágico, inicia nosso treinamento para questionar e responder.
Pais e avós orgulham-se da inteligência de seus bebês quando estes, questionados, apontam rapidamente, sem hesitação, o narizinho e a orelhinha. Mais tarde vem a escola ensinando respostas mais difíceis: “Qual a capital da França?”, “Por que a lei da gravidade faz a maçã cair?”. E, mesmo quando adultos, nosso conhecimento continua sendo testado em provas para faculdades e concursos. 
 Assim, lenta e gradativamente, somos induzidos a acreditar que a vida acontece e se explica através de perguntas e que sempre existirá uma resposta correta.  Dependendo de nosso desempenho, receberemos um conceito e seremos aprovados ou não.

Mas a vida é bem mais que isso. Algumas perguntas terão resposta.  Outras vão produzir mais de uma resposta, e todas estarão corretas. E talvez algumas perguntas sejam irrespondiveis. É preciso saber conviver com esta complexidade. E é justamente aí que algumas pessoas se complicam

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Formado em Medicina ou Médico?



Logo depois de minha formatura em medicina, não gostava de atender urgências. O motivo era um só: interrompiam e atrapalhavam meus raros momentos de lazer. Cada vez que era chamado para uma urgência, abnegadamente deixava para trás aquilo que estava desfrutando (filme, parque, praia, festa, namoro, família, estudo, descanso) para cumprir com o famoso juramento de Hipócrates.

Sempre soube que ser médico exigiria certa dose de renúncia na vida pessoal, mas isto não era motivo suficiente para aplacar meu descontentamento quando convocado para urgências. Por isso, tentava driblar a insatisfação através de algumas compensações materiais.

Quando meu filho era pequeno, e, contra a vontade de ambos, nossa brincadeira era interrompida por algum telefonema, dizia a ele que papai precisava sair para trabalhar, pois alguém havia ficado doente e necessitava minha ajuda. Com isso ganharia algum dinheiro e  lhe daria  uma parte para que comprasse balas, sorvetes, figurinhas...

terça-feira, 9 de julho de 2013

Por onde você chora?

               Por onde você chora? Através das lágrimas que escorrem de seus olhos? Não necessariamente. Vou tentar lhe mostrar outros prantos.

               Um primeiro paradigma a ser quebrado é o do corpo Aristotélico, composto de cabeça, tronco e membros, músculos, ossos e vísceras. Esta é uma idéia de corpo em sua natureza física, orgânica e material. Um corpo vivo, porém inanimado. Uma cisão entre corpo e alma, entre objetividade e subjetividade.

               Durante muitos séculos, a busca de exames e doenças ficou restrita ao corpo físico. A partir dos sintomas apresentados, o paciente se enquadrava nos padrões de normalidade da época ou era considerado doente. A medicina decompunha as pessoas em partes ou sistemas e os examinava objetivamente. O fígado estava doente, o cigarro fazia mal ao pulmão...Este modelo cartesiano demonstrou-se ineficaz.