Quando
completamos dois meses de namoro, sem aviso, sem ensaio, ela me beijou, e a
frase veio junto:
— Eu te amo.
Pedi que
repetisse. Ela repetiu, com a voz mais doce ainda, quase um sopro. Pedi mais
uma vez. Ela caprichou, como se afinasse um instrumento que já soava bem. Colocou
intenção, olhou no fundo dos meus olhos. O som era lindo. Devolvi o beijo ainda
com aquelas palavras ecoando na minha boca.
Mas acontece que sou um caçador de significados. Então fiz o que sempre faço quando algo importante aparece sem manual: perguntei o que exatamente queria dizer “eu te amo” no dicionário dela.