quarta-feira, 15 de maio de 2013

Destino

                                                
Podem acreditar, o destino vai  mandar algumas cartas inesperadas. Boas e ruins. Não há como prever. Está além de nossas capacidades. Como lidar quando estas circunstâncias surgirem? Boas noticias não constituem problema e podem ser aproveitadas e curtidas na sua devida hora. Resta saber o que fazer com as más novas? A imprevisibilidade inerente não permite nenhum conselho, entretanto, podemos trabalhar nossos pensamentos para não ficarmos sem chão quando a hora ruim chegar. 

Ler muito ajuda.  Perder-se nas páginas dos livros é um dos instrumentos libertários mais poderosos para a sobrevivência humana. Além da cultura e experiência de outras pessoas, teremos a chance de conhecer mais do mundo e de nós mesmos.

 Ao conseguir se projetar e levar para dentro de um texto sua vivência pessoal,  emoções, buscas, preconceitos,  o leitor mergulha e se confunde com o que lê. O único limite para a amplidão da leitura é a imaginação do leitor. Se este for suficientemente tocado  pelo texto, poderá construir imagens, refletir e até mesmo libertar temporariamente seu ego. Mesmo não sendo a intenção original, uma boa leitura proporcionará, consciente ou inconscientemente, a aquisição de ferramentas emocionais capazes de ampliar horizontes e expectativas.

 Além da leitura, podemos abastecer  pensamentos com  informações, sensações, emoções que nos fazem bem no dia a dia, para que fiquem indexadas. Meditando, escrevendo, falando, tocando, ouvindo. Quando as cartas inesperadas chegarem, nossa estrutura de pensamento se encarregará do trabalho de seleção, direcionando as coisas indexadas para o nosso lado e providenciando um descarte para as demais.

 Pode parecer complicado, mas não é. Você gosta de escutar música clássica, Vai e volta do trabalho se deliciando com Mozart, Beethoven, Bach, Vivaldi. Alimenta seus ouvidos e sua alma com sinfonias eruditas. O que acontece quando ao ligar o rádio a emissora está tocando uma música popular? Assim como imagino que você deverá trocar de estação, de modo semelhante, suponho que quando o destino enviar algo que lhe seja estranho e desconfortável, seu pensamento logo vai direcionar você para aquilo que lhe faz bem.

Resumindo, quando algo de ruim acontecer, ao invés de manter o foco na adversidade, podemos aproveitar todas as experiências agradáveis adquiridas na leitura e nos bons momentos vividos para tentar descolar esta situação de nosso pensamento. Ela não estará indexada no arquivo daquilo que somos ou gostamos e aos poucos será descartada. Não haverá espaço para estes infortúnios. Cabe a cada um de nós apenas fornecer substratos para que a estrutura de pensamento conheça nossas satisfações e  realize o processo de depuração.

Selecionei algumas felicidades pessoais. É um exercício diário. Amanhã posso adicionar outras sensações ou reconsiderar determinado prazer. Serve para minha forma de pensar. Para você, pode e deve ser diferente. De qualquer forma, talvez meus sentimentos, aspirações e expectativas lhe inspirem e façam refletir.

- Que as mentiras pareçam mentiras
- Que um minuto de reconciliação valha mais que toda uma vida de amizade
- Que ser honesto não saia tão caro
- Que ser covarde não valha a pena
- Que mesmo não sabendo onde ir,  saiba para onde voltar
- Que meu coração continue falando
- Que meus amores continuem em mim
- Que o beijo não termine
- Que a lua de mel não se ponha
- Que a vontade de ir embora não me alcance
- Que minha cama seja aquecida
- Que as esperas sejam deliciosas
- Que minhas mágoas não tenham âncoras
- Que exista outro amanhã, outros sonhos, outros risos, outras coisas
- Que os porquês se respondam com sentimentos
- Que o fim do mundo me pegue bailando
- Que o destino me chame na hora certa

3 comentários:

  1. Mas... aproveitar as experiências agradáveis adquiridas para tentar descolar uma situação de nosso pensamento não seria uma espécie de fuga??!!
    As verdades nos libertam, mas como encarar as situações de frente sem que alguém saia machucado?

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  2. Ás vezes encarar uma situação de frente requer que diminuamos o foco sobre o que está machucando.
    ;)

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  3. Ildo, excelente o texto. O duro é que na hora H as coisas ruins se recusam a sair da frente

    Liana Vivekananda

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