domingo, 2 de junho de 2013

Ciúme do Cão

Participo de um grupo de literatura onde uma vez por mês escolhemos um tema e cada um escreve o que bem entender sobre o assunto. Pode ser crônica, poesia, conto, ensaio, relato pessoal, vale tudo. Assim como as pessoas são diferentes, também as maneiras de ver, sentir, encarar, escrever e lidar com a vida  variam.  Desta forma, no final do mes, ficamos ansiosos aguardando pra ler o que os outros postaram sobre assuntos como ciúme, riscos, amor, fim, destino. Sempre nos surpreendemos com idéias novas sobre o mesmo tema, Talvez um dia esta brincadeira se transforme em livro.
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O assunto do mês de abril era ciúme. Queria fugir do lugar comum (ciúme entre homem e mulher) e decidi escrever sobre ciúme de pai com o filho. O artigo foi publicado no site na data de 25/04/2013. A titulo de curiosidade, achei interessante postar agora uma daquelas visões completamente inusitadas do assunto. É uma homenagem a todos aqueles que gostam e criam gatos. Desculpem os cachorreiros, mas é apenas uma crônica bem humorada sobre ciúme. Espero que os outros colegas do grupo não fiquem com ciúme da Claudia Marques, autora do texto.
CIÚME DO CÃO
Você acredita que precisa cercar seu amado por todos os lados para evitar a possibilidade de uma traição?
Imagina que deve ser o único interesse do seu amado, e que todo o tempo livre que ele tenha (leia-se não estar trabalhando) deve passar com você? Você tem um ciúme do cão?

Uhmmmmmm, situação grave, mas possível de ser solucionada. Aprenda a conviver com um gato. Isso mesmo, um felino, um bichano.

Não quero criar polêmica do tipo donos de cães x donos de gatos, mas acredito que os felinos têm muito a ensinar aos ciumentos, principalmente aos ciumentos que ultrapassam aquela tênue linha do “ciúme inocente” ou “ciúme saudável”.

Gatos são animais semidomesticados. Carinhosos, ronronantes, sedutores, mas totalmente independentes e cheios de personalidade. Gatos só fazem o que querem e não se sujeitam a nossos desejos ou vontades.

Não podemos fazer chantagem emocional com um gato, ameaçar, ter chiliques, pitis ou alguma reação violenta. A única coisa que conseguiremos com isso é um abanar de rabo nada satisfeito e uma retirada silenciosa e rápida. Claro que eles voltam, mas só depois que a fome bater e a poeira baixar.

Não ameace seu gato dizendo que se ele não ficar em casa com você, e preferir jogar futebol com os amigos (ou caçar alguns ratos na rua), está tudo acabado entre vocês. Poupe-se do ridículo, o gato vai sim caçar ratos, e voltar feliz e satisfeito mais tarde. Espero que o seu mau humor já tenha desaparecido nesta hora, porque senão ele vai comer, e procurar um lugar mais tranquilo para dormir.

Acredito que uma das características dos “donos” (sim, donos entre aspas, doce ilusão) de gatos é a capacidade de não ser o centro das atenções, por isso são pessoas com melhor autoestima e menos propensas a ciúme doentio. Sabem ocupar suas vidas e seu tempo com interesses próprios, e não precisam que o outro esteja sempre por perto. Pelo contrário, vivem independente da atenção do outro, são pessoas interessantes, o que faz o gato sempre voltar.

Gatos ficam com as pessoas quando querem, porque querem, se quiserem, e por quanto tempo desejarem, e tudo isso se forem bem tratados. Gatos são como pessoas, demonstram afeto sim, mas do modo deles. Assim como as pessoas demonstram seu amor de maneiras diferentes, uns por palavras, outros por atitudes, os gatos podem demonstrar seu amor indo tirar uma soneca ao seu lado, ou roçando nas suas pernas. Gatos exigem respeito, não são o melhor amigo do homem.

Gatos não se submetem ao capricho dos donos (ou melhor, aos seus humanos de estimação), não se sentem obrigados a ficar ao nosso lado por gratidão ou submissão. Na verdade os gatos desconhecem completamente o significado da palavra submissão. Não amaríamos os gatos se estes fossem submissos, não teríamos respeito por eles. Por que então desejar que a pessoa que amamos se submeta aos nossos caprichos?

Gatos nos fazem praticar o desapego. Amar sem esperar muito em troca.Quem consegue viver bem com um gato, e gostar de ter um gato, consegue ter um bom relacionamento a dois. Os gatos adoram passear, e não nos avisam nem pedem permissão para sair. Por que exigir isso das pessoas. Por que não deixar livre, e como diz uma frase famosa e meio brega “dar asas para voar e motivos para voltar”?

Por isso, se você tem um ciúme do cão, aprenda com um gato.

3 comentários:

  1. PARABÉNS pela defesa gatofilica. A gente não quer submissão do amigo . Os que moram em minha casa nos escolheram, não precisei atrai-los nem retira-los das ruas, apenas entraram pelo portão e foram ficando . Lições de desapego, sim: acaricia-los quando disponíveis."
    Vânia Dantas

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  2. "Muito legal! E como diz o ditado " tem um ciúme do cão " Eu como só tenho cão, provavelmente o meu ciúme, tenho com certeza, deve ser o ciúme do cão, vou ter que aprender com os gatnhos, hehehe"
    Elza Leal Acosta

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  3. Oi! Gostei de ler o texto "Ciume do Cão" de Claudia Marques. Gostei e minha nota, se posso ter a pretensão de dar nota, é 10. Nas oficinas os motes que recebemos dos professores, de tão simples, nos fazem criar histórias (ou estórias) fantásticas. E parece absurdo eu gostar de gatos e nunca ter tido um gato. Num mote de aula, nós recebemos a incumbência de escrevermos sob o olhar de outra pessoa que tivesse um contato muito próximo conosco e me veio a ideia: Vou colocar o que pensa um gato sobre mim. Meu título foi: "Bela, minha namorada" e ficou hilário. Como o conto é longo, descarto-o mas deixo uma pequena poesia sobre um gato. Título: Preguiça de Gato. E diz assim: Eu não tenho/ mas gostaria de ter um gato/ para sentir o macio/ da preguiça e seu recato./ O meu gato/teria que ser cor-de-rosa/ e como todo gato que se preza/ ter uma fita de cetim, mimosa/ e ter olhos apenas para mim./ O inverno chegaria mais cedo/ com neve caindo de mansinho./Não faltaria uma lareira crepitante/ uma bebida estimulante/ e um chinelo de arminho./ Depois, num tapete de veludo/ quem seria mais feliz que eu?/O gato adormecido nos braços da poltrona/ eu entregue aos braços de Morfeu.
    Obrigada pelo espaço Dr.Ildo Meyer. Alegria em conhecê-lo. Ivanise

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