terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Conto de fadas moderno

Quando éramos crianças, adorávamos dormir escutando contos de fadas. Os finais eram sempre felizes, mas os começos muito tristes. Com freqüência existia um padrasto ou madrasta má, alguém que se perdia, estava muito doente, era espancado, seqüestrado, engolido. O enredo das histórias envolvia crueldade e injustiça, para no final surgir o amor e os mocinhos viverem felizes para sempre. Nossos pais não sabiam, mas é claro que estas histórias de amor romântico contadas ao pé da cama, mais tarde trariam conseqüências.

Crescemos, acabou a fantasia, caímos na realidade. Nosso mundo está cheio de injustiça, maldade, mentira, inveja, egoísmo, doenças, sofrimento. Nos contos de fadas sempre havia um herói para reverter a situação e encerrar o livro com um final feliz. E na vida real, onde estão estes heróis?

O sonho de que o sofrimento é passageiro, a injustiça será corrigida, mais cedo ou mais tarde surgirá um herói e o amor romântico vencerá ficou incrustado em nosso âmago. Mesmo que o mundo não esteja sendo nada daquilo que imaginamos, precisamos acreditar em um amanhã melhor. São os efeitos colaterais tardios daquelas histórias lúdicas. O problema é descobrir quem há de ser o protagonista atual destas mudanças?

Na infância nossos pais eram os heróis. Fadas, príncipes, guerreiros e paladinos também tinham esta função.  Na vida adulta projetamos idealizações em nossos parceiros. Não precisam mais vir montados em seus belos cavalos brancos, tornamo-nos menos exigentes. Podem surgir via internet, ter sobrepeso, celulite, calvície, filhos de casamentos anteriores, pensões por pagar, empregos mal remunerados, estresse. O que importa é que nos entendam, apóiem, aceitem, abracem, defendam e nos façam felizes por toda a eternidade, contrabalançando assim, as agruras da vida.

É o amor romântico salvador retornando, remasterizado, mas ainda assim, irreal. Amor romântico é muito bom para os imortais, mas não funciona nos relacionamentos humanos, que não conseguem ser perfeitos e coloridos em tempo integral. É preciso começar a pensar em um amor compatível com nossa realidade, um amor com os pés no chão e a consciência de que não será algo mágico, fácil de conviver e caído dos céus.

Nossos parceiros deixam a desejar em comparação aos príncipes, mas em contrapartida, também ouviram histórias românticas na infância e sonharam que seus príncipes e princesas fôssemos nós. Estamos fazendo a nossa parte? Nossos parceiros, além de não possuírem aquele glamour dos heróis, machucam, magoam, discordam, erram, gritam, choram e isto não significa que deixaram de amar ou que amem menos.

Significa apenas que não são aqueles personagens frios e infalíveis das historias.   São seres humanos, imperfeitos como todos nós e sujeitos aos mais variados tipos de sentimento.  E o amor que buscamos não pode mais ser aquele irreal dos contos de fadas, este não existe e só é eterno no imaginário. Precisamos de um sentimento entre seres imperfeitos, que nos transforme no melhor que podemos ser.

Alguns chamam este sentimento de amor. Pouco importa o nome ou definição, precisamos é vivenciá-lo. Precisamos pois, amar um parceiro que nos ame da melhor forma que conseguirmos. Tomara que seja por toda a vida, mas que seja eterno enquanto dure. O amor não precisa ser perfeito como nos contos de fadas, ele só precisa ser de verdade. E recíproco.

“Você só saberá realmente o que é o amor, quando lhe perguntarem sobre ele e você não pensar em uma definição, mas em um nome”.

3 comentários:

  1. Ótimo! Mas os contos atuais já estão mudando e mostrando personagens mais condizentes com a realidade. Os descendentes, candidato ao "Oscar" é um exemplo desta tendência.
    Parabéns! Milene

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  2. Excelente! Coloca os relcionamentos em plano real e mais factivel.

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  3. Caro Ildo,

    Estava separada de meu namorado e louca pra voltar, mas ele não queria. Depois de ler seu artigo, tive uma idéia.

    Enviei uma cópia para ele, anexando no final o nome dele (Francisco)como definição de meu amor.
    Deu certo, estamos juntos de novo.
    Obrigado, seu artigo funcionou como cupido.

    Mônica e Francisco

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